Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Mercado aponta que inflação ficará em 2,79% em 2017, abaixo do piso da meta

Caso as projeções divulgadas nesta segunda-feira, 8, no Boletim Focus se confirmem, o presidente do Banco Central precisará escrever uma carta ao ministro da Fazenda para justificar o descumprimento da meta de inflação

Fabrício de Castro, Broadcast

08 Janeiro 2018 | 08h58

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro alteraram levemente suas projeções para o IPCA - o índice oficial de preços - para 2017 e 2018. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 8, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA no ano passado foi de 2,78% para 2,79%. Há um mês, estava em 2,88%. Já a projeção para o índice de 2018 passou de 3,96% para 3,95%, ante 4,02% de quatro semanas atrás.

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Na prática, as projeções de mercado divulgadas hoje no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique levemente abaixo do piso da meta, de 3,0%, em 2017. O centro da meta para o ano passado e 2018 é de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação de 3,0% a 6,0%).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará na quarta-feira (10) o IPCA de dezembro e do acumulado do ano de 2017. Caso seja confirmada uma inflação abaixo dos 3%, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, precisará escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para justificar o fato de o IPCA não ter ficado dentro da meta.

Em dezembro, o Banco Central atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), suas projeções para o IPCA: 2,8% em 2017, 4,2% em 2018, 4,2% em 2019 e 4,1% em 2020. Estes cálculos do BC levam em conta câmbio e juros variáveis, conforme as projeções do Focus.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 no Focus permaneceu em 2,78%. Portanto, estas casas também preveem que o BC não cumprirá a meta, já que a inflação ficará abaixo do piso de 3,0%. Para 2018, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,72%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 2,78% e 4,04%, respectivamente.

Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 3,90% para 3,93% de uma semana para outra - há um mês, estava em 3,91%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para dezembro de 2017 foi de 0,28% para 0,29%. Um mês antes, estava em 0,37%. No caso de janeiro, a projeção foi de 0,42% para 0,39%, ante 0,48% de quatro semanas antes.

No RTI, o BC também atualizou suas projeções de inflação de curto prazo: +0,29% em dezembro, +0,53% em janeiro e +0,47% em fevereiro.

PIB.  O mercado financeiro também alterou levemente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e 2018. A expectativa de alta para o PIB no ano passado passou de 1,00% para 1,01%. Há um mês, a perspectiva estava em 0,91%. Para 2018, o mercado reduziu a previsão de alta do PIB de 2,70% para 2,69%. Quatro semanas atrás, a expectativa era de 2,92%.

O Banco Central atualizou suas projeções para o PIB no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em dezembro. O crescimento projetado para 2017 é de 1,0% e para 2018 de 2,6%.

No Focus de hoje, a projeção para a produção industrial de 2017 passou de avanço de 2,04% para alta de 2,25%. Há um mês, estava em 2,00%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 3,12% para 3,14%, ante 2,90% de quatro semanas antes.

Já a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 seguiu em 52,10%. Há um mês, estava em 52,15%. Para 2018, a expectativa no boletim Focus foi de 55,70% para 55,60%, ante 55,70% de um mês atrás.

Dólar.Relatório Focus mostrou que a projeção para a cotação da moeda americana no fim de 2018 seguiu em R$ 3,34. Há um mês, estava em R$ 3,30. O câmbio médio de 2018 foi de R$ 3,31 para R$ 3,32, ante R$ 3,29 de um mês antes.

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