Mercado busca equilíbrio e segue otimista

Os mercados seguem otimistas, embora cautelosos, procurando um ponto de equilíbrio para as cotações. No câmbio, ainda há um volume grande de dólares entrando no País por conta de captações expressivas de empresas brasileiras. Isso pode estar pressionando a moeda norte-americana para baixo. Ainda é cedo para afirmar se o patamar aceito pelos investidores ficará mais próximo de R$ 2,30 ou R$ 2,50, mas a maioria dos analistas concorda que será algo dentro desse intervalo. O governo aproveita o momento para desconcentrar o vencimento de títulos cambiais. Na sexta-feira, oferecerá um volume de cerca de R$ 2 bilhões em papéis para fevereiro, março e abril em troca de papéis para 2005 e 2006. Com isso, tenta evitar a rolagem desses papéis às vésperas das eleições presidenciais do ano que vem, o que pode trazer nervosismo ao mercado e prejuízos ao Tesouro, se as taxas acabarem subindo muito. Boatos sobre a operação estimularam forte alta do dólar no final da tarde de ontem. De qualquer forma, o mercado já considerava os R$ 2,3320 do fechamento de segunda-feira baratos e as cotações vinham subindo ontem. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que a operação será um teste e não deve afetar as cotações do mercado. O Fed - banco central norte-americano - não surpreendeu os mercados e realizou novo corte no juro básico, que passou de 2% ao ano para 1,75% ao ano. Assim, o governo pretende estimular o consumo e o investimento. As bolsas em Nova York reagiram bem à medida e os analistas mantêm as previsões de retomada do crescimento econômico no segundo semestre de 2002. Argentina enfrenta dias decisivos A Argentina viverá momentos cruciais entre hoje e sexta-feira. O governo apertou as medidas divulgadas na semana passada para restringir os saques bancários e as compras de dólares. A situação é crítica e a população se mobiliza para uma série de protestos. Hoje haverá panelaço e buzinaço ao meio-dia, silêncio telefônico de quinze minutos à tarde e apagão no comércio entre 20h30 e 21h30. Amanhã está marcada uma greve geral. A agitação popular certamente terá impacto sobre o governo. Para complicar a situação, na sexta-feira, a União terá vencimentos de US$ 700 milhões, sem ter recursos para cobri-los. Por enquanto, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, esforça-se para renegociá-los, mas os credores não parecem muito dispostos a rolar os papéis. Se isso não der certo, o próximo passo pode ser a moratória argentina ou o tão esperado colapso financeiro. Fala-se também em renúncia do ministro da Economia Domingo Cavallo e até do presidente Fernando De la Rúa. Enquanto isso a oposição tenta ocupar espaço na política e na opinião pública. Vale lembrar que, dependendo das turbulências resultantes do desfecho da crise da Argentina, o Brasil pode sofrer conseqüências, ainda que pontuais. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2001 | 08h03

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