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'Mercado de trabalho continua robusto, para infelicidade da oposição', diz ministra

João Villaverde - O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 18h 11

Miriam Belchior, do Planejamento, diz que Dilma criou, em 40 meses, o mesmo número de vagas formais de emprego que FHC em 8 anos

BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro continua robusto e aquecido, para infelicidade de alguns, e felicidade do povo brasileiro, afirmou a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, em entrevista exclusiva ao Estado. Nesta terça-feira, 3, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa média de desemprego, medida pela Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad), no primeiro trimestre foi de 7,1%, acima dos 5% obtidos com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que será substituída pela Pnad a partir do ano que vem. A oposição ao governo Dilma Rousseff, liderada pelo PSDB, tem afirmado desde cedo que o País não vive "pleno emprego" como diz o governo.

"A oposição teme muito esse debate do emprego, essa que é a verdade. O período em que eles conduziram o País foi brutalmente diferente do nosso. A presidente Dilma criou em 40 meses de mandato quase o mesmo número de empregos formais que Fernando Henrique Cardoso em oito anos", afirmou Miriam, que reforçou: "O desemprego continua caindo no Brasil, isso é um fato inquestionável".

Na comparação anual, a Pnad Contínua apresentou queda. No primeiro trimestre do ano passado, a taxa de desemprego foi de 8%, em média. Já os últimos três meses de 2013 registraram uma taxa menor (6,2%) do que a verificada no primeiro trimestre de 2014. "Para saber se uma estação de verão está mais quente, eu não posso comparar com o inverno. É preciso comparar verão com verão, e nessa comparação trimestral do emprego, o correto é ver que o primeiro trimestre deste ano registrou queda na comparação com o mesmo período do ano anterior", disse a ministra do Planejamento.

Segundo Miriam Belchior, a redução do desemprego foi maior na Pnad Contínua do que na PME. Na comparação entre o primeiro trimestre de 2013 e 2014, a taxa de desemprego pela Pnad Contínua caiu 11% (de 8% para 7,1%), enquanto que a PME caiu 10% (de 5,6% para 5%). "Isso é o que dá garantia para a economia", disse Miriam, para quem o emprego e a renda tem sido o motor do crescimento brasileiro há 12 anos. "A renda do trabalho cresceu 3,2% em termos reais no ano passado, e o ritmo permanece o mesmo neste ano", disse ela.

A ministra defendeu a "regionalização" do emprego no País, fenômeno que, segundo ela, tem se intensificado nos últimos anos. Os dados da Pnad Contínua apontam para taxas de desemprego maiores nas regiões Norte (7,3%) e Nordeste (9,3%) do que nas demais regiões. No Sul, a taxa foi de apenas 4,3% no primeiro trimestre. Já no Centro-Oeste o desemprego representou 5,8% e no Sudeste, 7%. 

"Os nordestinos estão voltando para casa e também atraindo muitos sulistas, porque há mais oportunidades de empregos no País como um todo. Os estaleiros e as refinarias estão sendo levantados lá, além de fábricas de alimentos e automóveis. Algumas decisões do governo também foram fundamentais para desconcentrar o desenvolvimento do Brasil, por meio de aumentos de salários e transferências de renda, o que criou mercado consumidor e atraiu empresas de bens duráveis e não duráveis", analisou a ministra do Planejamento. 

Questionada sobre a diferença na taxa de desemprego entre gêneros, a ministra Miriam Belchior associou a discrepância (a taxa é menor, em geral, para homens do que é para mulheres) à forma como a sociedade brasileira é estruturada. "Isso reflete ainda nossa sociedade. A diferença é menor no Sul, e maior no Norte. Entendo que é irreversível o movimento de equiparação das mulheres, tanto nas vagas quanto nos salários. Isso está mudando, e vai se acelerar nos próximos anos, porque as mulheres têm nível melhor de estudo. Além disso, o preconceito também vai diminuindo", afirmou ela.

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