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Mercado de trabalho dos EUA está menos flexível que em 1990, alertam economistas

HOWARD SCHNEIDER - REUTERS

22 Agosto 2014 | 11h 00

O mercado de trabalho dos Estados Unidos tornou-se gradualmente menos dinâmico desde 1990, com trabalhadores aparentemente presos em empregos particulares e um processo mais lento de criação e destruição de vagas no setor privado, de acordo com pesquisa a ser apresentada a integrantes de bancos centrais nesta sexta-feira.

A pesquisa realizada por dois economistas do setor trabalhista apresenta os EUA como um país que possivelmente está perdendo uma de suas notáveis forças econômicas --o robusto fluxo de trabalhadores entre postos de trabalho e a rotatividade de emprego enquanto as empresas têm sucesso ou quebram.

Eles disseram que a aparente tendência foi provocada por vários fatores: grandes varejistas dominantes que tiram do mercado empresas menos eficientes em relação ao trabalho; o envelhecimento da força de trabalho, que torna menos provável a mudança de empregos; e o acúmulo de regras e exigências de treinamento mais intensas que dificultam a contratação e as demissões.

Essas e outras forças reduziram medidas de "fluidez" do mercado de trabalho em até 25 por cento desde 1990, tendência que pode se traduzir em níveis menores de emprego, produtividade e salários, escreveram os economistas Steven Davis, da Universidade de Chicago, e John Haltiwanger, da Universidade de Maryland, em pesquisa preparada para a conferência anual de bancos centrais em Jackson Hole, Wyoming, nos EUA.

A conferência deste ano foca em questões do mercado de trabalho, destacando como o emprego e os salários se tornaram uma questão central no debate do Federal Reserve, banco central dos EUA, sobre a saúde da economia norte-americana e quando elevar a taxa de juros.

A chair do Fed, Janet Yellen, tem argumentado que alguns indicadores econômicos de alto nível, incluindo a taxa de desemprego, que têm caído mais rápido do que o esperado, não capturam a história completa de uma economia em que salários estagnados e a concentração de novas vagas na faixa mais baixa da escala salarial pesam sobre as perspectivas da classe média.