Mercado de trabalho mantém disparidade

Jovens, mulheres e nordestinos enfrentam desemprego acima da média nacional

ALESSANDRA SARAIVA / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2012 | 03h04

As disparidades do mercado de trabalho brasileiro persistiram em 2011. Jovens, mulheres e a população nordestina amargaram desemprego muito acima da média, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as mulheres, o desemprego ficou em 7,5%. A média nacional, de 4,7% em dezembro, também foi um padrão bem distante do encontrado entre os jovens de 15 a 17 anos, de 23%; e entre os de 18 e 24 anos, com 13,4%.

No Nordeste, Salvador e Recife - as duas regiões metropolitanas que integram o total de seis locais pesquisados pelo IBGE para compor o índice - encerraram 2011 com as maiores taxas de desemprego do Brasil, de 9,6% e de 6,5% respectivamente.

A remuneração dos homens continua maior que a das mulheres, que chegam a ter renda quase um terço menor. Entre raças, a desigualdade é ainda maior: a renda dos brancos foi o dobro da de pessoas de cores preta e parda. "Temos muito ainda a melhorar", admitiu o economista do IBGE, Cimar Azeredo.

O economista do banco ABC Brasil, Felipe França, lembra que as disparidades geográficas, de sexo e de raça já foram maiores. Em 2003, as mulheres ganhavam 70,8% da renda masculina. No ano passado, a fatia subiu para 73,8%. "A diferença de renda entre homens e mulheres, é uma questão cultural, histórica, cuja mudança depende de um amadurecimento da sociedade."

Na análise do professor da Unicamp Anselmo Luiz Santos, as desigualdades persistentes também são reflexo de políticas públicas ineficazes. Recursos reduzidos em educação de base geram trabalhadores pouco qualificados, que têm maior dificuldade de conseguir emprego.

Isso é perceptível nos dados apurados pelo IBGE, onde trabalhadores com oito a dez anos de estudo têm taxa de desemprego de 8,1%, quase o dobro da média nacional em 2011. Entre os trabalhadores com mais de 11 anos de estudo, a taxa foi de 5,8%.

"Não podemos nos esquecer do salário mínimo brasileiro, bom instrumento para combater desigualdade de renda, e um dos mais baixos do mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT)", disse o professor. "Não se consegue combater desigualdade, principalmente entre os de baixa renda, sem elevar salário mínimo."

Porto Alegre. A menor taxa de desemprego entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas foi encontrada em Porto Alegre. O índice ficou em 3,1%, o menor da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego, iniciada em 2002. A média de desemprego em 2011 na cidade foi de 4,5%, inferior à nacional, de 6%. O porcentual de trabalhadores com carteira assinada subiu de 48,6% em 2010 para 50,2% em 2011.

Para o economista e analista de pesquisas Eduardo Schneider, o resultado não surpreende, já que Porto Alegre e Belo Horizonte, cuja taxa foi de 4,3%, possuem um mercado de trabalho mais estruturado o que atenua o desemprego. "Entre os fatos que fazem o povo gaúcho liderar essa pesquisa está o alto índice de empregos formalizados e a renda salarial alta, se comparado com outras capitais. A união desses quesitos faz total diferença", diz Schneider.

Secretário do Trabalho e Emprego de Porto Alegre, Pompeo de Mattos recebeu com entusiasmo e cautela o resultado. Segundo ele, ainda é preciso muito empenho para acabar com o desemprego. "Apostamos na qualificação, mas sabemos que ainda há emprego sobrando e gente despreparada. É nosso desafio constante. Mensalmente temos 2 mil vagas para ser preenchidas e nem sempre conseguimos, mas o resultado nos anima." / COLABOROU WAGNER MACHADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.