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Joedson Alves/Reuters

Mercado prevê dólar a R$ 4,25 no fim de 2016

O Relatório de Mercado Focus também mostra piora das expectativas para a inflação e para o PIB deste ano

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Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2016 | 09h07

BRASÍLIA - Após subir quase 50% no ano passado e encerrar levemente abaixo de R$ 4,00, a perspectiva do mercado financeiro para o câmbio este ano é de alta para R$ 4,25. O dado consta do Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 11, pelo Banco Central. No levantamento anterior, a mediana das estimativas dos analistas apontava para uma cotação de R$ 4,21 e, no de quatro semanas atrás, de R$ 4,20.

Já para 2017, a mediana das estimativas do mercado aponta para uma cotação de R$ 4,23, maior do que a de R$ 4,20 vista na semana passada - um mês antes, já estava nesse patamar. Para este ano, o câmbio médio passou de R$ 4,13 para R$ 4,14 (estava em R$ 4,09 há quatro semanas), enquanto que para 2017, essa mesma variável permaneceu em R$ 4,10 - mesma cotação também de um mês atrás.

As projeções do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano seguem no terreno negativo, mas as de 2017 mostram alguma expectativa de recuperação, ainda que não seja tão forte. A mediana das estimativas no Relatório de Mercado Focus ficou em -2,99% para 2016 ante taxa de -2,95% apontada no levantamento anterior - há quatro semanas, a aposta era de uma queda menor, de 2,67%. Um ano atrás, os especialistas consultados pelo BC acreditavam que haveria crescimento este ano, de 1,80%.

Já para 2017, a expectativa é mais otimista, de expansão de 0,86%. Mesmo assim, está menor do que a taxa mediana de 1,00% calculada na edição anterior. Quatro semanas atrás, a mediana das projeções de crescimento do PIB no ano que vem também era de 1,00%.

Para inflação, a estimativa dos analistas é de uma elevação em 2016. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, escreveu em carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, divulgada na sexta-feira à noite, que conta com uma desinflação ao longo deste ano causada, sobretudo, pelos preços administrados e pelo setor de serviços, em meio a recessão que atravessa o País.

De acordo com o documento divulgado há pouco pelo BC, no entanto, a mediana das previsões do mercado financeiro para o IPCA de 2016 subiram de 6,87% para 6,93%. Há um mês, a mediana estava em 6,80%. O objetivo do BC, conforme Tombini reforçou na carta, é manter a inflação entre o centro (4,5%) e o teto (6,5%) da meta deste ano - o mercado, pelo Focus, não acredita que isso será possível.

O mercado financeiro não esperava uma inflação anual tão alta no início de um ano desde 2003. Em janeiro de 2003, no primeiro levantamento desse tipo, a taxa prevista para aquele ano era de 11,23%. No primeiro ano de governo Lula, o IPCA terminou com avanço de 9,3%, o que levou ao estouro da meta.

O grupo dos economistas que mais acertam as previsões, Top 5 de médio prazo, está mais descrente ainda. Para ele, o IPCA encerrará este ano em 7,49%. Na semana a anterior, o ponto central entre esses cinco participantes estava em 7,44% e, quatro semanas atrás, em 7,21%. Esta é a quinta semana consecutiva em que há alta das estimativas deste grupo.

Na pesquisa geral, a mediana das projeções para o IPCA de 2017 passou foi mantida em 5,20%, também distante do objetivo do BC de levar a inflação para mais perto de 4,50%. Para o ano que vem, a taxa permaneceu em 5,50% no grupo Top 5 de médio prazo pela quarta vez seguida.

De acordo com o último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em dezembro, o BC projeta que a inflação encerre este ano em 6,2% no cenário de referência e em 6,3% pelo de mercado. Para 2017, a estimativa da autoridade monetária está em 4,8% pelo cenário de referência e de 4,9% pelo de mercado. 

 

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