Mercado reage bem à troca de cambiais

Os mercados vinham esperando com uma certa ansiedade a operação de troca de títulos cambiais realizada hoje pelo governo. Há uma forte concentração de vencimentos antes das eleições de 2002; somente no primeiro semestre, serão cerca de US$ 15,9 bilhões. O governo tenta alongar prazos para evitar que oscilações bruscas, especialmente durante a campanha presidencial, acabem pressionando juros e câmbio. Segundo apuração da editora Cristina Canas, analistas avaliam que a troca alcançou os objetivos com sucesso parcial. As taxas de juros dos novos papéis ficaram altas (entre 11,60% e 12,70% ao ano), para um volume relativamente baixo (mais da metade dos cerca de R$ 2 bilhões ofertados). Os leilões foram um teste que revelaram pouca disposição dos investidores a assumir riscos no próximo mandato presidencial, mas, de qualquer forma, os papéis foram trocados dentro das expectativas do mercado. Com isso, a apreensão dos mercados diminuiu. A alta do dólar e dos juros foi reduzida, assim como a queda na Bolsa de Valores de São Paulo. Ainda assim, a instabilidade política argentina e mais indicadores econômicos negativos dos Estados Unidos pesaram. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) ficou acima do esperado, mostrando que talvez a política de queda de juros esteja chegando ao seu limite. Os investidores continuarão atentos aos números. E, na Argentina, a renúncia do vice-ministro da Economia, Daniel Marx, trouxe muitas preocupações. Aumentou o temor de que novas medidas restritivas drásticas venham a ser tomadas, como congelamento de depósitos bancários. Ainda assim, o mercado gostou da escolha do substituto, Miguel Kiguel. Marx continuará negociando a dívida do país, e seu último ato foi a rolagem de títulos que venceram hoje. O tempo do governo argentino está se esgotando. O acordo definindo os recursos para os US$ 700 milhões que venceram hoje foi fechado ontem à noite, o que mostra a fragilidade da situação financeira do país. E, no dia 28, a União deverá desembolsar US$ 451 milhões, mais uma dura negociação. As apostas do mercado continuam sendo de colapso no curto prazo. A saída de Marx e a perseverança da equipe econômica em manter a paridade do peso com o dólar frente às dificuldades trazem muitas preocupações quanto ao futuro próximo. Por enquanto, o Brasil tem ignorado a crise argentina, mas isso pode mudar dependendo dos rumos que ela tomar. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3770, com alta de 0,13%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,472% ao ano, frente a 20,350% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 1,44%. Às 18h20, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires operava em queda de 0,24%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava alta de 0,13%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em alta de 0,30%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

14 Dezembro 2001 | 18h26

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