Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Mercado reage mal à fala de Temer e ministros saem em defesa da Previdência

Após a declaração do presidente de que a reforma pode não ser aprovada, Bolsa cai ao menor patamar em dois meses; na tentativa de conter a repercussão negativa, Meirelles, Padilha e Oliveira defenderam aprovação do texto no Congresso

Adriana Fernandes, Carla Araújo, Igor Gadelha e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2017 | 21h27

O mercado reagiu mal à declaração do presidente Michel Temer sobre a possibilidade de uma derrota na aprovação da reforma da Previdência. Ao longo desta terça-feira, 7, enquanto a Bolsa caminhava para fechar o pregão no menor patamar dos últimos dois meses, os principais ministros de Temer fizeram coro para defender a reforma.

Henrique Meirelles, da Fazenda, disse que o governo não vai recuar e acredita que há possibilidade de aprovação do texto ainda este ano. “Temer reconheceu uma realidade. A ideia é ir para a discussão e para a votação”, afirmou.

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Eliseu Padilha, da Casa Civil, garantiu que a Previdência continua sendo uma prioridade. E Dyogo Oliveira, do Planejamento, disse, em Roma, que o governo “vai continuar lutando pela reforma”.

Mesmo com as declarações positivas dos ministros, a Bolsa encerrou a terça-feira com queda de 2,55%. Foi a primeira vez, desde o dia 5 de setembro, que ela ficou abaixo dos 73 mil pontos. As ações de empresas com controle estatal, como Petrobrás e Banco do Brasil, despencaram.

Apesar de o risco de derrota do projeto não ser uma novidade, o fato de o presidente Michel Temer ter admitido isso segunda-feira, 6, e o tom resignado que usou em seu discurso a parlamentares levaram a um mau humor generalizado no mercado.

“As declarações do presidente foram interpretadas como a constatação derradeira de que dificilmente teremos notícias positivas na parte política no atual governo”, disse Vladimir Pinto, gestor de renda variável da Grand Prix Asset.

Com a repercussão negativa, Temer divulgou um vídeo nas redes sociais em que afirma ter cumprido seu dever ao propor uma reforma ao Congresso que corta privilégios. “Quero transmitir minha ideia de que toda minha energia está voltada para concluir a reforma da Previdência”, afirmou.

 

Por trás da declaração de anteontem do presidente, que foi interpretada como se o governo tivesse jogado a toalha, há a estratégia do Palácio do Planalto de dividir com a cúpula do Congresso e transferir sobretudo para Rodrigo Maia, presidente da Câmara, a responsabilidade da aprovação da proposta, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

Maia disse não ter visto a declaração de Temer “de modo pessimista”. “Tem que aprovar a reforma. Agora, esse não é um projeto apenas do Legislativo. O governo precisa ajudar a organizar essa votação”, afirmou.

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Na avaliação de integrantes do governo, muito pior do que ser derrotado na votação seria desistir da reforma, que é essencial para diminuir os gastos obrigatórios e o rombo das contas públicas.

Na mesma reunião em que o presidente falou na possibilidade de a proposta não avançar, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi taxativo ao afirmar aos líderes da Câmara que abandonar a Previdência dará uma sinalização negativa ao mercado e pode prejudicar a retomada do crescimento. 

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