Mercado segue otimista e Argentina agoniza

As explicações do Banco Central (BC) sobre a troca de títulos cambiais com vencimento mais curto por papéis cambiais com duração maior, que deverá ser realizada na próxima sexta-feira, e os números um pouco melhores divulgados ontem para a inflação deste final de ano agradaram os investidores. O governo também definiu as captações de recursos externos e confirmou que não venderá mais os US$ 50 milhões no mercado diariamente no ano que vem. Com isso, a tendência de ligeiro otimismo dos mercados continua, apesar do caos que vive a Argentina. O mercado gostou dos números da inflação divulgados ontem. Porém, ninguém aposta ainda em uma redução da Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - nos próximos meses. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na semana que vem para discutir a política monetária e os analistas são unânimes na previsão de manutenção da Selic em 19% ao ano. A política monetária do BC tem sido guiada pelo regime de metas de inflação, ou seja, as taxas de juros são calibradas com o objetivo de conter a pressão sobre os preços. A meta de inflação deste ano é de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. Com a forte alta do dólar durante este ano, a elevação da Selic não foi suficiente para garantir o cumprimento da meta. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação, acumula neste ano, até novembro, uma alta de 6,98% - acima do limite máximo estabelecido para a meta. Também passou o susto sobre o leilão de títulos cambiais de sexta-feira. O governo tenta aproveitar o bom momento do câmbio para diversificar os vencimentos de títulos cambiais, muito concentrados no primeiro semestre de 2002. É que no combate à escalada do dólar em setembro, foram emitidos muitos papéis, e o mercado não aceitou vencimentos depois das eleições presidenciais do ano que vem. Agora, será necessário rolar grande parte da dívida exatamente durante o embate dos candidatos, o que pode trazer muitas oscilações, afetando as cotações do dólar e dos juros. Rolando antecipadamente parte desses papéis, o governo quer evitar problemas. Na sexta-feira, o governo fará como teste uma oferta de adesão voluntária de troca de títulos com vencimento em fevereiro, março e abril por papéis para 2005 e 2006, no montante de cerca de R$ 2 bilhões. Argentinos não suportam mais crise As últimas medidas que o governo argentino tomou para manter o mecanismo da paridade mantiveram as mesmas características das anteriores: atacam apenas os sintomas, são impopulares e recessivas. E o povo argentino vai às ruas para protestar. Ontem houve algumas manifestações, mas o destaque principal é para a greve geral, iniciada à meia-noite. As centrais prometem nova greve geral de 48 horas na semana que vem. E a crise financeira é cada vez mais aguda. O governo diz ter negociado a rolagem de títulos com vencimento na sexta-feira no valor de US$ 700 milhões, mas ainda restam muitas outras obrigações financeiras até o final do ano. E as perspectivas são ruins também para o ano que vem. As reservas internacionais até estão crescendo - embora ainda estejam em um ponto crítico -, apenas em função dos rígidos limites impostos aos saques bancários e remessa de dólares ao exterior. O problema é que as medidas estão agravando a recessão. Analistas continuam céticos, mantendo a aposta em um colapso financeiro, com calote, desvalorização e dolarização, o que pode afetar o Brasil, ainda que pontualmente. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2001 | 07h27

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