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Mercados azedaram

Desta vez, a principal fonte de preocupação é a situação de grandes bancos ao redor do mundo

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Celso Ming,
O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2016 | 21h00

Nos países em que nesta terça-feira, 9, não foi feriado, as bolsas voltaram a mergulhar. Frankfurt perdeu 1,11%; Londres, 1,0%; Milão, 3,21%; e Paris, 1,69%.

Desta vez, a principal fonte de preocupação é a situação de grandes bancos ao redor do mundo. Nesta terça-feira, um dos principais diretores do Deutsche Bank, John Cryan, se sentiu obrigado a desmentir enfaticamente os rumores que tomaram corpo nos últimos dias. Declarou que seu banco está absolutamente sólido como uma rocha.

Por toda parte, avaliações, boatos e desmentidos sobre a saúde dos bancos ou de alguns deles em particular vêm se repetindo na imprensa especializada internacional.

The New York Times do dia 4 publicou extensa matéria (Trillions in bad loans may sap world economy for a long time) na qual apontou encrencas bancárias medidas em “multitrilhões de dólares”. Só na China, há, conforme o depoimento de especialistas, cerca de US$ 5 trilhões em créditos com problemas, o que corresponde a cerca da metade de seu PIB. A disparada das dimensões do sistema financeiro da China já é, por si só, fonte de preocupação. Em apenas sete anos, saltou de US$ 9 trilhões para US$ 30 trilhões. Esse ritmo é, por si só, altamente suspeito; sugere a pressa com que tantas operações foram feitas. Agora que a economia chinesa está em franca desaceleração e enfrenta um princípio de fuga de capitais, é inevitável que um volume não desprezível de empréstimos bancários esteja sujeito a calote.

Por toda parte, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, grande número de bancos está exposto aos trancos que agora atingem o mercado global do petróleo cujos preços caíram 70% em 19 meses e deixaram muitas companhias do setor no vermelho. O mais apontado parece ser o Wells Fargo Bank.

Aumentam também as pressões sobre o sistema bancário da Itália, que enfrenta o azedamento da qualidade de cerca de 300 bilhões de euros. Apenas neste ano, os bancos italianos perderam quase US$ 40 bilhões em valor de mercado.

O setor bancário é vulnerável a corridas sempre que as suspeitas começam a circular. Quem está bem, exagera suas condições; quem está mal esconde. Na China, onde a baixa transparência é a regra, uma avaliação é sempre problemática e a boataria acaba prevalecendo.

Os novos problemas da rede bancária global são o resultado de três fatores. O mais importante deles é a política dos grandes bancos centrais que despejaram enormes volumes de moeda no mercado que, naturalmente, desembocaram no caixa dos bancos. Estes se sentiram na obrigação de reemprestar tudo o que podiam, nem sempre sob as melhores condições de risco.

O outro fator foi a já citada derrubada dos preços do petróleo e das demais commodities que deixaram grande número de empresas em más condições.

E, terceiro fator, todo o setor bancário enfrenta agora nova perspectiva de recessão global e, portanto, queda de renda e aumento da inadimplência.

Por enquanto, as preocupações aumentam nos mercados, mas não dá para dizer que já estejamos à beira de novo ciclo de turbulências, como em 2008.

CONFIRA

O gráfico mostra a evolução dos preços do petróleo neste ano.

Desabaram

Nesta terça-feira, as cotações do petróleo voltaram a desabar. O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova York, fechou com queda de 27,94%. E o tipo Brent, negociado em Londres, com baixa de 30,32%. Pesaram na queda as últimas projeções da Agência Internacional de Energia dando conta de nova tendência de queda dos preços diante do aumento dos estoques. Além disso, a Arábia Saudita insiste em não reduzir a oferta para não ajudar a concorrência.

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