Mercados entram em ritmo de final de ano

Ontem foi, provavelmente, o último dia mais ativo para os mercados financeiros em 2001. Não havendo nenhuma surpresa, especialmente da Argentina, os mercados devem entrar em ritmo de véspera de feriado, com poucos negócios e pequenas variações nas cotações, até o início do ano que vem. Os mercados já vinham apresentando estabilidade na semana passada. Houve uma forte recuperação nas expectativas dos investidores no último trimestre deste ano, mas o otimismo já parece estar incorporado no preço dos ativos. A partir de agora, é esperar uma melhora modesta na atividade econômica, com pequena queda nos juros ao longo de 2002 e algum incentivo para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Para os analistas, não será na reunião de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom) que será reduzida a Selic, a taxa de juros referencial da economia, atualmente em 19% ao ano. A inflação do ano que vem está muito pressionada pelos preços controlados, e o governo ainda deve demorar alguns meses para começar a realizar cortes nos juros. Mas muitas das revisões nas projeções do mercado estão se concretizando, agradando aos investidores. Ontem o Banco Central divulgou sua pesquisa com as instituições financeiras. O resultado reflete com algum atraso a melhora na percepção sobre o cenário econômico brasileiro, mas, com raras exceções, revela a expectativa de que 2002 traga mais estabilidade e otimismo, ainda que moderadamente. Vale atentar para o alerta do presidente do BC, Armínio Fraga, de que a euforia do último trimestre foi apenas uma reação ao pessimismo exagerado que se observou no meio do ano, e que ainda existem riscos. Os principais são a desaceleração da economia mundial e a crise argentina. Para o primeiro, espera-se uma recuperação da economia norte-americana no segundo semestre, com efeitos globais. O pior mesmo é a situação da Argentina, mergulhada numa crise política e financeira sem precedentes e sem solução à vista. Mesmo que seja adotada a dolarização, que depende de apoio do Tesouro dos EUA e do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de complexos ajustes na legislação, não se prevê retomada econômica antes de 2003. Uma ruptura ao menos no atual regime cambial é tida como inevitável e iminente, e certamente será traumática. Há vencimentos relativos à dívida da União da ordem de US$ US$ 504 milhões até o dia 28 de dezembro, e, mesmo que o governo consiga honrá-los, a situação é insustentável e a incerteza continuará. Os sinais de esgotamento da sociedade também preocupam. Os cidadãos enfrentam limites para saques bancários e transferências internacionais no quarto ano de recessão econômica, com desemprego próximo dos 19%. As centrais sindicais convocaram mais uma greve geral de 48 horas na quinta e sexta-feira, e multidões empobrecidas estão saqueando supermercados em todo o país. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

18 Dezembro 2001 | 07h55

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