Mercados otimistas no day after do pacote argentino

Hoje foi o primeiro dia útil de vigência do pacote argentino que limitou os saques bancários a US$ 250 semanais por pessoa, as saídas do país com mais de US$ 1000 e proibiu as transferências de recursos ao exterior sem autorização prévia do Banco Central. Os mercados em Buenos Aires reagiram com euforia, e, no Brasil, o otimismo também se deveu aos bons números das contas externas. As filas nos bancos na Argentina demonstraram a preocupação da população com as medidas adotadas, teoricamente, por 90 dias, até a conclusão da operação de troca da dívida em condições mais favoráveis ao governo. O maior temor é que os argentinos passem a sacar tudo o que puderem dos bancos e comprem dólares no paralelo para salvar o que for possível. Nesse caso, os depósitos bancários e as reservas internacionais, que já estão no limite, não agüentarão por muito tempo. Mas, pensando no curto prazo, o governo conseguiu prorrogar o colapso financeiro mais uma vez. A troca dos títulos da dívida em poder dos credores locais foi um sucesso, atingindo US$ 50 bilhões - incluindo papéis da dívida das províncias, cujo prazo para apresentação de propostas só se encerra em 7 de dezembro. Os novos papéis pagam juros máximos de 7% ao ano com carência de três anos. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, prevê que a troca da dívida com credores estrangeiros seja concluída em oito a dez semanas. Com a economia proporcionada pelos juros mais baixos, ele pretende garantir o cumprimento do déficit zero e recuperar a confiança dos investidores. Recuperar a confiança da população, depois das medidas de sábado, será mais difícil. Analistas brasileiros são unânimes em considerar que a situação é insustentável. A dolarização é muito complicada, dados os níveis das reservas internacionais, e o mais provável é que venha uma desvalorização no início do ano que vem. Mas, pelo menos momentaneamente, a Argentina conseguiu novamente empurrar a crise com a barriga, o que animou investidores locais. O mercado brasileiro emitiu bons sinais, pois, apesar do pessimismo das avaliações da situação do país vizinho, dólar e juros caíram e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou (veja números abaixo). Segundo analistas, a crise argentina já está no preço dos ativos, e o investidor aqui não deve entrar em pânico. Além disso, os números das contas externas trouxeram bons resultados novamente. Em novembro, mês em que normalmente se acumulam déficits por causa das importações de Natal, registrou-se saldo positivo de US$ 288 milhões, e exportações de US$ 4,5 bilhões. Além disso, surgiram várias notícias de captações de empresas brasileiras no exterior, o que justifica a forte entrada de dólares e, portanto a queda nas cotações. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4530, com queda de 1,72%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,340% ao ano, frente a 21,650% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 3,13%. Às 19h, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 6,08%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,89%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 1,33%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

03 Dezembro 2001 | 18h48

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