Mercados passam no teste do pacote argentino

Ontem os mercados brasileiros ignoraram o desesperado pacote argentino e tiveram um dia de otimismo, apesar das avaliações pessimistas. Já em Buenos Aires, as cotações recuperaram-se, já que o esperado colapso financeiro foi mais uma vez adiado. Mas a situação é considerada insustentável e a reação do público, agora muito preocupado com os controles impostos, pode empurrar o país para o abismo. Mas, pelo menos momentaneamente, a Argentina conseguiu novamente empurrar a crise com a barriga, o que animou investidores locais. O mercado brasileiro reagiu bem. Ignorando a crise do país vizinho, embalou novamente a maré otimista, com nova queda do dólar para R$ 2,4350 e alta na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) de 3,13%. O comentário dos investidores era que o colapso argentino já é esperado e está considerado nas cotações atuais. Além disso, as contas externas voltaram a trazer bons resultados. Em novembro, mês em que normalmente se acumulam déficits por causa das importações de Natal, registrou-se saldo positivo de US$ 288 milhões (exportações de US$ 4,5 bilhões). Como também há notícias de captações de empresas brasileiras no exterior, a entrada de dólares é grande, o que propicia a queda nas cotações. Situação argentina consegue piorar O pacote traz medidas desesperadas, como a limitação dos saques bancários em US$ 250 semanais (além desse teto, apenas por meio de cheques, transferências e cartões) e das saídas do país com mais de US$ 1000 para a pessoa física. Estão proibidas as transferências de recursos ao exterior sem autorização prévia do Banco Central. O prazo de vigência será de 90 dias, quando o governo imagina que a troca dos títulos da dívida argentina seja concluída, mas muita coisa ainda pode acontecer nesse período. De fato, a troca dos títulos da dívida em poder dos credores locais foi um sucesso, atingindo US$ 50 bilhões - incluindo papéis da dívida das províncias, cujo prazo para apresentação de propostas só se encerra em 7 de dezembro. Os novos papéis pagam juros máximos de 7% ao ano com carência de três anos. Os investidores não tinham muita escolha, e aceitaram o prejuízo. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, prevê que a troca da dívida com credores estrangeiros - em torno de US$ 20 bilhões - seja concluída em oito a dez semanas. Com a economia proporcionada pelos juros mais baixos, ele pretende garantir o cumprimento do déficit zero e não precisar mais tomar recursos para sustentar as contas públicas. Mas a reação da população às medidas de sábado é uma incógnita preocupante. O maior temor é que os argentinos passem a sacar sistematicamente os US$ 250 semanais dos bancos e comprar dólares no paralelo para salvar o que for possível. Nesse caso, os depósitos bancários e as reservas internacionais, que já estão no limite, não agüentarão por muito tempo, mesmo com os limites impostos. De qualquer maneira, o colapso não virá essa semana, o que trouxe algum alento aos mercados argentinos; as próprias medidas não permitam que isso ocorra. Mas os analistas não acreditam que o governo esteja criando bases para uma recuperação da economia, apenas tapando mais um buraco, que, aliás, está cada vez maior. Espera-se uma breve sobrevida, e problemas ainda maiores à frente, com investidores afugentados e consumidores nervosos. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

04 Dezembro 2001 | 07h33

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.