Mercados: perspectivas para a próxima semana

A Argentina continua no centro das atenções dos investidores na próxima semana, já que um colapso financeiro pode vir a afetar os mercados brasileiros. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, chegou aos Estados Unidos hoje e pretende insistir junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a parcela de US$ 1,260 bilhão, recusada na quarta-feira, seja liberada. Estes recursos seriam usados para o pagamento de dívidas que vencem ainda este mês e, sem este dinheiro, o país vizinho poderá chegar à situação de default - leia-se calote da dívida. Sabe-se que até o final de dezembro, apenas com o pagamento de juros e amortizações, vencem US$ 1,5 bilhão. O FMI negou-se a liberar os recursos devido ao não cumprimento das metas estabelecidas, mas há sinais claros de que a instituição espera mais do que isso da Argentina. Mudanças no regime cambial, por exemplo. O fato é que a paridade cambial de um peso para um dólar já não é respeitada em todos os mercados. Com a limitação dos saques determinada pelo governo argentino nesta semana, muitos argentinos estão recorrendo às casas de câmbio e doleiros. Mas, por um dólar, têm pagado pelo menos 1,25 peso. Esta situação gera muita desconfiança em relação ao governo por parte da população. Depois das últimas medidas do ministro Cavallo, as filas nos bancos dobraram e muitas pessoas não conseguiram ser atendidas. Os bancos argentinos pretendem abrir amanhã para atender esta demanda. As novas medidas argentinas também incitaram a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) a convocar uma greve nacional de dois dias, com início na próxima quinta-feira. Já a Came, entidade nacional dos pequenos comerciantes, convocou uma paralisação nacional do comércio para a próxima quarta-feira. Estados Unidos Na próxima semana, a decisão do Banco Central dos Estados Unidos (Fed) também deve atrair a atenção dos investidores. A instituição vai reavaliar a taxa de juros do país, que está em 2,0% ao ano. Os analistas esperam um corte da taxa entre 0,25 a 0,50 ponto porcentual. O ritmo da atividade econômica norte-americana vem sendo uma forte preocupação para as economias em todo o mundo. Isso porque o mercado norte-americano é forte consumidor das exportações mundiais. Portanto, um desaquecimento econômico nos Estados Unidos tem impacto em praticamente todos os países. Muitos analistas acreditam que a economia norte-americana deve dar sinais de reaquecimento no primeiro semestre de 2002. Para o Brasil, isso seria muito positivo, já que o País precisa captar recursos no exterior para financiar sua dívida. A balança comercial e a boa aceitação do papéis de empresas brasileiras no exterior têm aliviado o mercado de câmbio no Brasil nas últimas semanas, dado que o volume de dólares internamente é maior e a pressão sobre as cotações diminui. Porém, para que isso se mantenha, no próximo ano, o ritmo da atividade econômica dos Estados Unidos será fundamental. Vale lembrar que qualquer perspectiva para o Brasil em 2002 também precisa levar em conta a proximidade da eleição presidencial. A incerteza sobre este aspecto pode provocar oscilações para o dólar, as taxas de juros e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Investimentos Diante deste cenário que ainda tem muitos incertezas - desfecho para a crise argentina, economia norte-americana e eleições no Brasil -, investimentos que têm uma data definida para resgate podem ser direcionados para os fundos referenciados DI, cujo rendimento acompanha as taxas de juros e o risco é extremamente reduzido. Desta forma, mesmo com oscilações, o investidor não vai perder dinheiro. Veja mais dicas de investimento no link abaixo, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

07 Dezembro 2001 | 22h10

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