Mercados: perspectivas para a próxima semana

Pela proximidade do final do ano, a próxima semana já deveria apresentar uma diminuição no volume de negócios nos mercados financeiros e já deveria entrar um compasso de espera. Porém, as incertezas em relação à recuperação da economia norte-americana, a reavaliação das taxas de juros no Brasil e as incertezas em relação à Argentina podem trazer instabilidade para os mercados. O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se na terça e quarta-feira para reavaliar a Selic, a taxa básica de juros da economia, que está em 19% ao ano. A expectativa quase unânime é de manutenção dos juros neste patamar. A política monetária tem sido guiada pelo cumprimento das metas de inflação. Neste ano, a meta de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais, já foi ultrapassada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como referência para as metas de inflação, está acumulado em 6,98% até o mês de novembro e o BC já deixou claro que, em 2002, a meta de 3,5%, também com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais, será cumprida de qualquer maneira. Isso significa que os juros só voltarão a cair quando houver uma tendência clara de que a inflação está controlada. No cenário interno, os investidores também estarão atentos à divulgação do saldo da balança comercial referente à segunda semana de dezembro na segunda-feira. Neste mês, até o dia 10, a balança registrava um superávit - exportações maiores que importações - de US$ 4 milhões. No ano, até o dia 10, o saldo acumulado era positivo em US$ 1,790 bilhão. Os números da balança comercial foram favorecidos pela forte desvalorização do real frente ao dólar durante o ano. Isso porque, com o real desvalorizado, há um forte estímulo ao aumento das exportações e, do outro lado, as importações ficam mais caras, inibindo este movimento de entrada. Os resultados positivos da balança comercial têm surpreendido os analistas que, no início do ano, esperavam por um déficit de US$ 2 bilhões. Cenário externo O agravamento da crise argentina não é visto pelos analistas como o principal motivo de preocupação no cenário externo. É certo que, em algum momento, a Argentina pode passar por uma situação de default - leia-se calote da dívida - e poderá influenciar pontualmente os mercados no Brasil. Mas as dificuldades financeiras do país vizinho já são conhecidas amplamente pelos investidores, ou seja, ninguém espera uma solução indolor e, neste período, os mercados no Brasil podem apresentar alguma oscilação. Segundo um analista, a Argentina já não surpreende mais ninguém e o principal motivo de preocupação para os investidores é, de fato, o ritmo da atividade econômica norte-americana. Os Estados Unidos consomem grande parte dos produtos exportados, o que faz com que a economia mundial seja influenciada pela situação econômica norte-americana. Na próxima semana, na quinta-feira, será divulgado o número de pedidos de auxílio-desemprego requeridos na semana até o dia 15. O mercado de trabalho dos Estados Unidos é um sinal importante para verificar o ritmo econômico do país, pois grande parte da atividade econômica é resultado do consumo interno. Ou seja, se o desemprego permanece elevado, a disposição dos norte-americanos ao consumo é menor. Na sexta-feira, o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan também vai sinalizar a tendência para a economia do país. Investimentos Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

15 Dezembro 2001 | 00h03

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