Mercados: perspectivas para a próxima semana

Os feriados de final de ano devem reduzir muito os negócios no mercado, o que pode provocar um aumento das oscilações. Além disso, a crítica situação argentina pode trazer novidades no final de semana, abrindo espaço para alguma reação negativa por parte dos investidores. É certo que, nos últimos dias, os mercados no Brasil têm mantido a tranqüilidade, pois grande parte deste cenário na Argentina já era previsto. Mas, com a diminuição do volume de negócios, qualquer movimento pode provocar oscilações mais fortes. Na Argentina, o feriado bancário e cambial foi estendido para segunda-feira e os investidores estarão atentos às próximas medidas econômicas a serem adotadas no país. Acredita-se que, passado este momento de reorganização política imediata, as diretrizes monetárias da Argentina deverão ser alteradas. Isso significa que o mercado financeiro já espera uma desvalorização do peso argentino. Resta saber o que será feito a partir daí. Mas, qualquer que seja a nova política econômica, para os credores estrangeiros, a conseqüência mais provável é o calote da dívida. Para o Brasil, a deterioração do cenário argentino não vem abalando a imagem do país. Prova disso é que o Brasil continua captando recursos no exterior com o lançamento de papéis de empresas brasileiras no mercado internacional. A balança comercial brasileira, graças à forte alta do dólar na maior parte do ano, vem registrando superávits expressivos, o que contribui para a entrada de dólares no País. Estados Unidos e eleições Analistas acreditam que a crise argentina preocupa os investidores pontualmente, mas o principal motivo de incertezas para o próximo ano é a retomada da atividade econômica norte-americana. Acredita-se que isso deve acontecer no primeiro semestre de 2002, mas, para isso, um dos pontos principais é a volta da confiança do consumidor norte-americano. Isso porque grande parte da economia do país é movimentada pelo consumo. A economia dos Estados Unidos já vinha apresentando sinais claros de desaquecimento, mesmo antes dos atentados terroristas, em 11 de setembro, mas, depois da tragédia, a queda se acentuou. Já existem alguns sinais de melhora neste cenário. O movimento de alta registrado nas Bolsas de Nova York já é visto como um sinal disso. Para se ter uma idéia, em um ano de forte desaquecimento econômico e ataques terroristas, o índice Dow Jones - que negocia os principais papéis da Bolsa de Nova York - acumula uma queda de XX. Na próxima semana, será divulgado na quarta-feira o relatório semanal Redbook sobre o desempenho do comércio varejista na semana até 22 de dezembro. Na sexta-feira, saem os indicadores de encomendas de bens duráveis e vendas de imóveis residenciais novos referentes ao mês de novembro, além do índice de confiança do consumidor relativo ao mês de dezembro. Outro fator que deve influenciar os mercados no Brasil no próximo ano é a realização de eleições presidenciais. O que gera incertezas neste contexto e que pode provocar instabilidade nos mercados é a política econômica que será adotada pelo próximo governo.

Agencia Estado,

21 Dezembro 2001 | 20h31

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