Mercados: resumo da semana

Nestes dias entre o Natal e o Ano Novo, o volume de negócios foi muito reduzido. As instituições operaram em sistema de plantão, houve poucas oscilações e as notícias da Argentina continuaram a não afetar os mercados. A boa notícia ficou por conta da queda da moeda norte-americana - que chegou a ser negociada a R$ 2,3020 - em parte graças à venda diária de US$ 50 milhões pelo Banco Central, que teve início em julho para conter a alta do dólar e terminou esta semana. Outra boa notícia foi a confirmação de que a balança comercial já apresenta um superávit de US$ 2,335 bilhões no ano, com a divulgação pelo Banco Central (BC) do relatório de inflação do último trimestre. Na terceira semana de dezembro, o saldo ficou positivo em US$ 410 milhões, o que elevou as projeções anteriores, que apontavam um superávit de US$ 1,8 bilhão e aumentou o otimismo dos mercados. Na quinta-feira, foi divulgada a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sem surpresas, apenas com destaque para a tendência de queda da inflação no longo prazo, perspectivas positivas para 2002 e queda mais significativa em 2003. Com isso, muitos investidores passaram a apostar em um corte nos juros, ainda que pequeno, já em fevereiro. Na reunião da semana passada, a Selic - a taxa básica referencial de juros da economia - foi mantida em 19% ao ano. O aumento da alíquota de Imposto de Renda (IR) para renda variável, de 10% para 20%, a partir de 1º de janeiro, preocupou os mercados. Porém, ontem a Receita Federal anunciou que a alíquota sobre os ganhos líquidos das operações realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) até 31 de dezembro será mantida em 10% sem a necessidade de vender as ações. O imposto pode ser pago até o final de janeiro de 2002. Já para os rendimentos acumulados a partir de 1º de janeiro, incidirá a alíquota de 20%. Já a promessa de isenção da CPMF ainda não foi cumprida. Mercados indiferentes à Argentina A crise argentina - que atingiu o ponto de maior gravidade com a revolta popular e renúncia de ministros e presidente - continua sem solução. No entanto, a situação do país vizinho não trouxe nenhuma preocupação para os investidores. O novo presidente interino da Argentina, Adolfo Rodrigues Saá, assumiu o cargo no último fim de semana sem dar sinais de que a paridade do peso com o dólar chegue ao fim. A boa notícia veio através de uma carta enviada pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, ao presidente interino da Argentina, abrindo a possibilidade de retomada na negociação com a instituição. A moratória da dívida foi decretada, o salário mínimo teve um aumento de US$ 250 para US$ 450 na iniciativa privada e US$ 550 no setor público, o feriado bancário deve permanecer até o dia 2 de janeiro para saques e operações cambiais e uma nova moeda deve entrar em circulação nos próximos dias com saque livre nos bancos. No entanto, Rodrigues Saá já demitiu o presidente do Banco Nación, David Expósito, o criador do "argentino" (nome da nova moeda), depois de dois dias no cargo. Mercados Desde 25 de outubro, o dólar comercial vem acentuando a tendência de queda, acumulando uma desvalorização de 14,70% até hoje. No último dia 19, chegou à menor cotação desde o dia 29 de junho, R$ 2,3000, para se recuperar moderadamente nesta semana sem muitos negócios e fechar em R$ 2,3160. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) retomou com mais força a tendência de alta iniciada em 8 de outubro, que já registra alta de 34,50%, e, desde o último dia 20, apresenta valorização de As bolsas norte-americanas recuperam-se desde os atentados de 11 de setembro. A seqüência de pequenas quedas apresentada pelo Dow Jones - índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - desde o dia 5 de dezembro foi revertida para uma tendência clara de alta desde o último dia 14. A Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York -, embora esteja se recuperando desde os atentados, registra leves baixas desde 6 de dezembro, voltando à tendência de alta a partir do dia 20. Veja abaixo as cotações de fechamento da semana:   segunda-feira terça-feira quarta-feira quinta-feira sexta-feira Bovespa (variação) - - - 0,07% + 2,99% -1,31% Dólar (cotação) R$ 2,3350 - R$ 2,3250 R$ 2,3320 R$ 2,3160 Juros (DI a termo ao ano) 20,100% - 19,590% 19,508% 19,480% Nasdaq (variação) - - +0,83% -0,80% +0,55% Dow Jones (variação) - - +0,53% +0,43% +0,06% Dia-a-dia: Segunda-Feira (24/12) Como esperado, o volume de negócios nesta véspera de Natal foi muito pequeno. E os mercados seguiram imunes à Argentina Terça-Feira (25/12) - Quarta-Feira (26/12) Essa semana foi de poucos negócios, mas as boas notícias internas garantiram quedas no dólar e nos juros, apesar do caos na Argentina. Quinta-feira (27/12) O dólar e os juros não tiveram muitos negócios, e as variações nas cotações foram pequenas. Mas a Bovespa continuou apresentando resultados positivos. Sexta-feira (28/12) As bolsas não abrirão na segunda-feira, portanto, hoje foi o último dia útil de um ano cheio de problemas, que acaba com certo otimismo.

Agencia Estado,

28 Dezembro 2001 | 20h58

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.