Mercados retomam otimismo e dólar volta a cair

Hoje os mercados retomaram a tendência ligeiramente otimista desse último trimestre de 2001.Os boatos de ontem de que o Banco Central (BC) interviria para conter a queda do dólar foram desmentidos. Índices de inflação divulgados hoje também agradaram. Como a Argentina ainda não quebrou e a entrada de dólares é forte, houve margem para queda do dólar e dos juros, além de alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na verdade, o governo tenta aproveitar o bom momento do câmbio para desconcentrar os vencimentos de títulos cambiais. A autoridade monetária emitiu muitos papéis em setembro e o mercado não aceitou vencimentos depois das eleições do ano que vem. Assim, será necessário rolar grande parte da dívida em dólares até meados de 2002, o que traz preocupações por conta de possível instabilidade causada pelas idas e vinhas da campanha presidencial. Dependendo dos acontecimentos, esses leilões de rolagem podem resultar em taxas de juros muito altas e pressão nas cotações da moeda norte-americana. Assim, o governo tenta antecipar a troca de títulos que vencem em fevereiro, março e abril por papéis para 2005 e 2006. Na sexta-feira, será realizada essa primeira tentativa voluntária, no montante de R$ 2 bilhões. Hoje também foram divulgados o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) relativo à primeira quadrissemana do mês pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que ficou em 0,36%, e o oficial Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, de 0,71%. Ambos ficaram abaixo das expectativas, e, segundo analistas, a projeção dos números aponta para uma queda da inflação em dezembro. Assim, a meta revisada para 2001 será cumprida, e, apesar das pressões dos preços controlados (especialmente energia elétrica), a meta de 2002 fica apertada, mas factível. A ligeira melhora nas perspectivas para a inflação trouxe um pequeno alento aos investidores, mas ainda se mantém a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não realize nenhuma alteração na Selic - a taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 19% ao ano. Argentina enfrenta protestos Hoje o governo argentino teve uma idéia do descontentamento popular - agravados com as restrições aos saques bancários e compra de dólares - com os protestos de sindicalistas alinhados com a oposição na capital. Houve panelaço, buzinaço, passeatas e reivindicações. À noite, ainda está programado silêncio telefônico de 15 minutos e apagão no comércio. A partir da 0h de amanhã, haverá uma greve geral de 24 horas. As centrais anunciaram nova greve geral de 48 horas na semana que vem. O governo, que enfrenta seus dias mais difíceis, diz ter negociado a rolagem de títulos com vencimento na sexta-feira no valor de US$ 700 milhões. Ainda restam muitas obrigações financeiras até o final do ano enquanto as reservas internacionais continuam preocupantemente baixas. É verdade que as reservas estão crescendo, mas somente por causa dos limites impostos à população na semana passada, que está agravando a recessão. Analistas sustentam a previsão de que haverá um colapso financeiro, com calote e alguma combinação de desvalorização e dolarização, o que pode afetar o Brasil, ainda que pontualmente. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3710, com queda de 0,38%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,380% ao ano, frente a 20,300% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,60%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 0,86%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,06%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,47%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

12 Dezembro 2001 | 18h24

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