Mercados tranqüilos apesar de caos na Argentina

Os analistas vinham prevendo um colapso financeiro com conseqüências sociais desastrosas na Argentina há meses. Ele chegou ontem, e o estopim foram os protestos populares e saques aos supermercados. A crise institucional é muito grave, mas os investidores brasileiros mantiveram o sangue frio e a reação, embora negativa, foi mínima. No início da manhã, o nervosismo foi maior, mas as altas do dólar e dos juros, assim como a queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foram reduzidos ao longo do dia. A ruptura argentina, por ser esperada, não assustou ninguém e o contágio no mundo inteiro tem sido pequeno. Além disso, o otimismo com a economia brasileira é grande e está baseado numa tendência de melhora gradual das diversas variáveis. Hoje, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, reiterou a melhora do cenário e justificou a decisão de ontem de não cortar a Selic - taxa básica referencial de juros - por causa das notícias que vinham de Buenos Aires e inspiravam cautela. O comentário alimenta esperanças de que a Selic venha a ser reduzida logo em janeiro, mas há discordâncias. Alguns analistas acreditam, em relação à decisão de ontem que o governo não tinha a intenção de baixar juros imediatamente, e a situação caótica na Argentina teria apenas reforçado a cautela. De qualquer modo, ninguém previa um corte agora e seria muito imprudente antecipar-se ao desfecho - ainda desconhecido - da crise argentina. Mesmo estando todos preparados, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também ajudou. A primeira vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, afirmou que a instituição permitirá que o Brasil saque recursos para evitar contágio pela crise argentina. O governo brasileiro já declarou que não tem a intenção de fazê-lo, mas é mais uma garantia. Enquanto isso, a situação não poderia estar pior na Argentina, que chegou ao momento da verdade. Todo o ministério renuciou, a oposição pede a saída do presidente, e há um consenso de que o sistema econômico deve ser alterado imediatamente. O calote da dívida é certo, inclusive é o que alerta a Fitch, agência internacional de avaliação de risco. O debate é sobre as opções de desvalorização cambial com dolarização ou desdolarização da economia. Os combates nas ruas continuam, está em vigor o estado de sítio e as negociações políticas são tão intensas quanto as discordâncias. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,3340, com alta de 1,48%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,140% ao ano, frente a 19,860% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,80%. O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 17,49%, já que os investidores procuram aplicar em qualquer ativo não-monetário para preservar seus recursos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,85%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 3,25%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 Dezembro 2001 | 18h44

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