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Mercosul deve fechar com UE ainda este ano

Após quase 20 anos de negociações, expectativa é que o acordo comercial seja selado, segundo ministro argentino Nicolás Dujovne

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 Março 2018 | 05h00

ENVIADO ESPECIAL/BUENOS AIRES - O Mercosul caminha para fechar um acordo comercial com a União Europeia (UE) este ano, pondo fim a quase 20 anos de negociações, disse o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne. Ele alertou para a tendência de aumento do protecionismo na economia mundial e afirmou que os governos não podem ser complacentes nem buscar soluções individuais. 

O ministro argentino fez palestra ontem em conferência do Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo e que tem sede em Washington. A Argentina sedia a partir de hoje a reunião ministerial do G-20, que terá também presidentes de bancos centrais. 

A Argentina está na presidência do G-20 em 2018 e Dujovne propôs que as economias que formam o grupo dos países mais ricos do mundo invistam mais em infraestrutura. “Há um déficit importante em infraestrutura e queremos mitigá-lo.” Ele ressaltou que vai propor ao G-20 que o financiamento dos projetos ocorra com o lançamento de uma espécie de bônus.

“A Argentina está atravessando um momento histórico”, afirmou. Ele frisou que o país, que deu o calote em investidores estrangeiros em 2015, voltou a crescer, a inflação caiu e a dívida do governo está se reduzindo.

Ao falar da economia mundial, o ministro enfatizou que as economias estão crescendo de forma sincronizada como há anos não se via. Muitos analistas estão revisando as previsões para cima, ressaltou.

Se o acordo com a UE for fechado, o ministro estima que a Argentina vai saltar de um acesso a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial para 35%. 

Brasil. O presidente do banco JPMorgan Chase para a América Latina e Canadá, Martín Marrón, disse, durante o seminário, que o Brasil vai liderar a recuperação econômica da região em 2018. A avaliação do executivo é que os países latinos estão deixando o populismo para trás e a eleição brasileira, por ter dois turnos, pode favorecer a vitória de um candidato mais ao centro e comprometido com o avanço das reformas.

“Estamos otimistas com o Brasil”, disse Marrrón. “A América Latina está se recuperando e desta vez guiada pelo Brasil, que teve a pior crise econômica de sua história.” Ele lembrou que a economia brasileira responde por cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

A recessão brasileira levou a dois anos perdidos para o País, disse o executivo do JP.

Pelo lado positivo, Marrón destacou em sua apresentação que o Brasil tem sido um exemplo para a América Latina no combate à corrupção e em colocar “proeminentes” figurões na cadeia que há alguns anos seria impensável vê-los atrás das grades. “O que o Brasil fez mostra que as instituições importam.”

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