CADU GOMES/EFE
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Mercosul precisa ser fortalecido, diz Serra

Novo ministro das Relações Exteriores defendeu ainda flexibilização do bloco para que os países-membros possam negociar acordos bilaterais

Suzana Inhesta, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2016 | 08h59

SÃO PAULO - O ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), afirmou, ontem, que o Mercosul precisa ser fortalecido e revigorado e que o Brasil vai trabalhar no fortalecimento do livre-comércio do bloco. Segundo ele, a pasta quer trabalhar ainda com a flexibilização do Mercosul para que os países-membros consigam negociar acordos bilaterais sem passar pelo bloco, o que ajudaria no objetivo do ministério de avançar em acordos desses tipos. “É possível flexibilizar e ter acordo razoável nessa matéria”, declarou a jornalistas. 

O ministro participou ontem do 8.º Fórum Nacional de Procuradores do Ministério Público de Contas, no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. 

Diversas vezes Serra ressaltou a importância do Mercosul e comentou que o bloco é uma zona comercial mais profunda que a Aliança do Pacífico, composta por Chile, Peru, México e Colômbia, já que leva a mesma política comercial entre membros para o resto do mundo. “Por isso, que precisamos ter flexibilizações”, afirmou.

Ele ressaltou que não haverá priorização de mercados, como EUA em detrimento de China, por exemplo. “Vamos fazer uma política de escala mundial, porque o Brasil é um país de escala continental. Temos de desenvolver as relações econômicas em todas a áreas do planeta visando a exportar mais e gerar mais emprego para o Brasil.” 

Pacífico. Serra reiterou que quer negociar com o mercado americano, chinês, Europa, África, Ásia e inserir o Brasil na Aliança do Pacífico, para que não vire “um novo tratado de Tordesilhas e dividir a América do Sul em Leste e Oeste”. “Depois de visitar os Estados do Mercosul vou visitar os países da aliança do Pacífico. Já recebi telefonemas de ministros da aliança, como o do Chile”, informou. Na segunda-feira, Serra viaja para a Argentina que, segundo o ministro, é prioritária para o trabalho diplomático brasileiro. 

Ontem, ele voltou a afirmar que a pasta é apartidária, porque “relações exteriores têm a ver com Nação, nem com governo, muito menos com partido”. “Nos últimos anos, as relações exteriores foram contaminadas por interesses partidários. O Itamaraty deve representar a Nação, o Brasil no mundo. É órgão de Estado”, afirmou.

Sobre acusações de que ele estaria fazendo o mesmo, Serra repudiou. “Que eles partidarizaram não tenho a menor dúvida. Agora, dizer que eu estou fazendo o mesmo é ridículo, até porque eu estou há uma semana, e não há indício disso.” 

O ministro informou que pediu um estudo para o próprio Itamaraty sobre as embaixadas que o Brasil tem no mundo. “Parece que foram criadas 40, sem falar de consulados, e em alguns lugares com 30 mil habitantes”, disse, citando o caso do Caribe, onde há mais embaixadas do que na Inglaterra. “Tudo isso tem um custo e precisa ser confrontado com o que se tem.” 

Sobre as notas de repúdio a Venezuela, Bolívia, Equador, El Salvador e Unasul, Serra discordou que houve carga ideológica. “Estão dizendo coisas falsas sobre o Brasil e temos obrigação de sublinhar isso apenas.”

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