Metalúrgicos da Volks fecham Anchieta por aumento de salário

Metalúrgicos da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pararam hoje a Rodovia Anchieta em protesto contra a decisão da empresa de não pagar o salário integral dos 8 mil funcionários que fizeram greve entre os dias 29 de setembro e 24 de outubro. Para os trabalhadores, a montadora descumpriu decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que a obriga a fazer o pagamento normal sem qualquer tipo de desconto. A empresa alega que a questão está sob judice, já que entrou com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST) na terça-feira, mesmo dia em que a sentença do TRT foi publicada no Diário Oficial. Os trabalhadores fizeram greve para pressionar a montadora a melhorar a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A montadora oferecia uma PLR base de R$ 5.000 para a produção de 208 mil veículos no ano. Já os trabalhadores reivindicavam R$ 5.500. Como não houve acordo, foi instaurado dissídio coletivo em que o TRT julgou a greve não abusiva. Com isso, os dias parados não poderiam ser descontados dos salários dos trabalhadores. Os juízes fixaram em R$ 4.750 o pagamento mínimo da PLR. A greve durou 25 dias. Durante o movimento, a unidade deixou de fabricar 16 mil veículos, informou a empresa. O protesto Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), sete mil trabalhadores da Volks participaram do protesto hoje. O grupo saiu às 8h da fábrica e fez uma caminhada de 4 km pela Rodovia Anchieta, interrompendo o trânsito na pista sentido capital. Depois do protesto, os metalúrgicos voltaram ao trabalho, às 11h. De acordo com os sindicalistas, muitos trabalhadores enfrentam sérios problemas financeiros porque a empresa não pagou o que deve. Há funcionários que tiveram telefone e luz cortados e até casos de não pagamento de pensão alimentícia.

Agencia Estado,

29 Novembro 2005 | 15h51

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