André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Ministro acredita que apresentação do texto da reforma irá 'reduzir resistência' ao tema

Carlos Marun, escalado para ser o defensor público da Previdência no Palácio do Planalto, admitiu que novas mudanças devem ser feitas no Plenário

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2018 | 17h46

BRASÍLIA - Escalado pelo governo para ser o defensor público da reforma da Previdência no Palácio do Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta quarta-feira, 7, em coletiva de imprensa, que era preciso “comemorar” a apresentação do texto da reforma da Previdência feito mais cedo na Câmara, pois, na sua avaliação, o conhecimento da emenda aglutinativa vai reduzir a resistência em torno do tema.

Apesar disso, o ministro admitiu que novas mudanças devem ser feitas no Plenário. “O governo entende que é natural o Parlamento sugerir ainda aprimoramentos em plenário”, disse. “Propostas que possam agregar votos na reforma da previdência serão ouvidas”, completou.

Marun confirmou que o governo conta com a possibilidade de mudanças em plenário, além da emenda aglutinativa. “Sem dúvida algumas propostas que não foram pilares da reforma serão ouvidas e analisadas com atenção pelo relator, líderes da base e Rodrigo Maia."

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Ao ser questionado sobre quais pontos poderiam ainda sofrer modificações, Marun citou uma “transição mais aprimorada para o servidor”; “algo na questão de acumulo de pensão” e “a equiparação previdenciária de policiais e agentes penitenciários”. “São três exemplos, que se tiverem apoio parlamentar, podem ser incorporados”, disse.

O ministro ressaltou, no entanto, que mesmo com possíveis mudanças, o presidente Michel Temer está propondo uma reforma que mantém os pilares que são idade mínima e igualdade.

Marun reiterou que ainda faltam cerca de 40 votos para o governo alcançar os 308 votos necessários e, se dizendo sempre otimista, afirmou que no dia da votação aposta que o governo terá 314 votos. “Até o dia 28, (a discussão em torno do texto) vai se encerrar com a vitória do Brasil”, afirmou.

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Para o ministro, a apresentação do texto fará com que muitas mentiras que estão circulando “deixem de circular”. “Está claro por exemplo que nada muda para o trabalhador rural”, disse. Marun afirmou ainda que acredita que o recesso de carnaval pode trazer novos votos.

Limite. Marun ainda afirmou que a data de 28 de fevereiro como limite para a votação da reforma da Previdência, anunciada mais cedo, foi acordada entre o governo e os líderes da Câmara. Segundo ele, a votação vai começar no dia 19 e deve “se estender mais do que inicialmente previsto”. “Mas data limite para votar reforma da previdência é dia 28”, declarou.

Ao ser questionado sobre a declaração do presidente do Senado, Eunicio Oliveira, que reclamou do tempo de análise da reforma na Câmara e avaliou que os senadores também precisam de prazo razoável para discutir e sugerir mudanças na proposta, Marun disse que acredita que o Senado “analisará com profundidade a questão, mas que ela já chega discutida”. “Entendemos que o trabalho do Senado será feito com atenção, mas há condições de celeridade." 

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O ministro reforçou ainda que o “ideal” é que todo o processo esteja concluído em março, “no primeiro trimestre”, reforçou. Apesar disso, Marun declarou que é preciso achar o tempo correto de a matéria ser apreciada no Senado. “Tenho certeza que o presidente Eunício saberá fazer essa avaliação.”

Ao ser questionado sobre a avaliação da oposição que diz que o governo está apenas “jogando a toalha aos poucos” ao estender mais uma vez o calendário, Marun disse que não se importa com essas análises. “Não tenho perdido tempo ultimamente com o que fala a oposição”, disse.

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