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Marcos Brindicci|Reuters

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Ministro argentino quer parceria com o Brasil

Prat-Gay defendeu ‘relançamento’ de parceria comercial entre os dois países para maior projeção global

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Rodrigo Cavalheiro, correspondente,
O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2016 | 22h40

BUENOS AIRES - O ministro da Fazenda e Finanças da Argentina, Alfonso Prat-Gay, defendeu nesta quinta-feira, 14, um relançamento da relação comercial entre Brasil e Argentina que esteja “acima das ideologias”. Em uma entrevista a correspondentes estrangeiros em Buenos Aires, ele pregou o afastamento argentino de sócios como Venezuela, Irã e “em menor medida”, da Rússia, países com os quais o kirchnerismo estreitou laços. Ele se referiu ao governo de Caracas como um que não costuma respeitar regras.

“A projeção da Argentina para o mundo não pode ser feita separada do Brasil. Seria muito mais favorável para nós se o Brasil estivesse crescendo, e não em recessão. O Brasil passa por correções em razão de medidas dos últimos anos. Ainda assim, elogiamos o Judiciário brasileiro pela independência, isso também faz parte de ter regras claras”, avaliou. Ele amenizou a crise econômica brasileira, acrescentando que há ciclos econômicos, “anos em que se cresce e outros que não”.

Ele descartou a possibilidade de receber alguma ajuda, tanto de bancos públicos brasileiros quanto em forma de swap com o Banco Central do principal parceiro do Mercosul. Essa possibilidade foi levantada pelo candidato kirchnerista Daniel Scioli, derrotado por Mauricio Macri, líder da coalizão de centro-direita Cambiemos. Quanto ao bloco regional, ele disse que Brasil e Argentina “estiveram distraídos nos últimos anos”.

Prat-Gay disse sentir que outros países olham a Argentina com otimismo, mas ressaltou que o país ainda é o mesmo de antes da posse, com 28% dos 42 milhões de habitantes incapazes de gerar renda para arcar com a cesta básica mensal.

Questionado sobre o que seu governo fez errado nesse primeiro mês, afirmou que a alta nos preços é o que mais o preocupa. “O salto da inflação decorre de uma expectativa anterior à nossa liberação no câmbio, de que haveria um salto do peso no mercado paralelo, o que não ocorreu”, reclamou. Além de reduzir travas a importações e exportações, Macri terminou com um controle cambial que vinha desde 2011. O dólar oficial se valorizou 41%, mas o paralelo se manteve estável. As duas cotações da moeda americana estão próximas de 14 pesos.

Ainda sobre a onda de otimismo dos mercados sobre a Argentina, o ministro afirmou que o risco país local está abaixo do brasileiro desde que Macri assumiu. “Não encontramos prazer estar com risco menor que o do Brasil. Nossa rivalidade é no futebol. Faz tempo que não olhamos muito essa medição do risco país, prefiro não dar muita importância a isso.”

Ele criticou o kirchnerismo por se afastar de “EUA, Espanha e Itália. “Vamos a Davos basicamente para dizer que existimos”, afirmou Prat-Gay, sobre o fórum econômico na Suíça.

“A China não está nessa lista de países dos quais queremos nos afastar e dos quais o kirchnerismo se aproximou. É impossível se afastar da China, tem de ser um parceiro estratégico”. Criticado por kirchneristas pela abertura acelerada ao mercado internacional e acusado de achatar os salários com a desvalorização do peso, o ministro brincou que seu sobrenome é de origem catalã e significa campo alegre. “Não é americano ou imperialista, como tenho ouvido”.

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