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MMX demitiu 200 funcionários desde janeiro, diz sindicato

REUTERS

21 Agosto 2014 | 12h 08

A MMX, que passa por dificuldades financeiras e informou na véspera a paralisação temporária da produção de minério de ferro, já demitiu desde janeiro cerca de 200 funcionários, nesta quinta-feira o presidente do Sindicato Metabase de Brumadinho, Agostinho José de Sales.

"Esse ano já demitiram mais de 200 funcionários para a redução de custos", afirmou Sales à Reuters.

Atualmente, segundo o sindicalista, a empresa tem cerca de mil funcionários, sendo que 550 são próprios. Ele não entrou em detalhes sobre demissões recentes.

Procurada, a MMX afirmou que a companhia passou por um processo de reestruturação, reduzindo prioritariamente os cargos de nível gerencial e gestão, e não negou as 200 demissões.

"Os empregados diretamente lotados nas áreas operacionais não sofreram impactos significativos. Atualmente, a MMX possui 550 empregados próprios no total", disse a empresa em nota enviada à Reuters.

Na quarta-feira, um dia depois de negar que esteja avaliando um pedido de recuperação judicial, a mineradora do grupo de Eike Batista informou que vai paralisar a sua produção de minério de ferro, em meio a uma queda nos preços da commodity que agrava a situação financeira da empresa.

Para isso, concederá férias coletivas a seus colaboradores envolvidos diretamente na operação da mina Serra Azul, em Minas Gerais, por 30 dias, a partir da primeira semana de setembro. Esse é o único ativo da mineradora atualmente em produção.

As ações ordinárias da empresa caíam 4,1 por cento, para 0,93 real, às 12h, perto do menor nível da história.

EMBARGOS AMBIENTAIS

Sales afirmou que o aviso de férias coletivas ainda não chegou ao sindicato, já que precisa passar primeiro pelo Ministério do Trabalho. Ele destacou que a empresa recebeu alguns embargos ambientais e que está trabalhando para resolver o assunto.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad) disse que embargou a mina conhecida como “Tico Tico”, em Minas, em fevereiro, por estar localizada em área próxima a cavidades de relevância ambiental.

O embargo apenas será retirado quando estudos da empresa para adequação de raio da área de proteção das cavidades sejam analisados pela Semad e aprovados pelo Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), disse a Semad.

Em maio deste ano, a secretaria também embargou a Unidade de Tratamento de Minério (UTM) e estrada próximas às cavidades. Segundo o órgão, foram aplicadas duas multas no valor de 50 mil reais por descumprimento da legislação ambiental.

"Nós estamos trabalhando junto para ver se conseguimos as licenças para manter os empregos", disse sales.

(Por Marta Nogueira)