Momento é de criar carteiras com mais risco

Caso o sr. estivesse entre os 17 apostadores que ganharam, cada um, R$ 18 mi na Mega Sena da Virada, onde investiria?

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2018 | 05h00

Eu investiria na realização de meus sonhos. Afinal, mesmo descontados os impostos, ainda sobra muito dinheiro. Obviamente, uma parcela do prêmio seria para uma viagem de férias e a compra de algumas coisas, mas a maior parte da grana seria dedicada para os investimentos. Para conseguir isso, adotaria um esquema no qual parte do dinheiro seria colocada em renda fixa com baixo risco, uma segunda parte em uma carteira de ações e uma terceira em negócios que rendessem mais dinheiro – por exemplo, franquias em setores dinâmicos da economia.

Na parte de baixo risco, uma proposta é criar uma carteira com diferentes títulos do Tesouro Direto, segmentando entre prefixados e pós-fixados, com prazos de vencimentos diversos. Os títulos prefixados estão disponíveis com vencimento entre 2020 e 2027, sendo oferecidos com taxas entre 7,92% a 10,03% ao ano. Os títulos pós-fixados são indexados ao IPCA e têm vencimentos entre 2024 e 2050, com taxas entre 4,91% a 5,35% ao ano, mais o IPCA.

Na carteira de ações, alocaria o dinheiro de maneira bem diversificada entre vários setores da economia, mas buscaria ações de empresas com potencial de crescimento, mesmo sabendo que são títulos com mais riscos. Com relação a investir em negócios, eu buscaria franquias nas áreas de beleza e estética. Outras áreas interessantes são os segmentos pet e de educação.

O resumo é diversificar os investimentos e colocar parte do dinheiro para trabalhar. Mas, para isso, a primeira pergunta que você deve se fazer é: o que deixa você feliz? A resposta é que vai determinar como investir o seu dinheiro. Não esqueça que uma parte deve ser dedicada a melhorar a vida dos outros. Isso sem dúvida vai deixar você feliz.

O sr. pode indicar cinco ações para quem tem um perfil mais conservador e quer começar a investir em Bolsa neste ano?

Neste espaço eu não posso nominar diretamente ações, mas acho que é um momento muito oportuno para os investidores pensarem na criação de carteiras com mais risco. O ano de 2018 começa com uma forte expectativa positiva e muita gente está pensando em investir em ações. A retomada do crescimento econômico é verdadeira. Setores como concessionárias, infraestrutura – particularmente saneamento básico –, siderurgia e os ligados às indústrias montadoras, como de autopeças, devem ter uma performance positiva neste ano.

Mas isso não quer dizer que devemos investir de qualquer maneira, sem pensar em alguns riscos. Devemos lembrar que na frente política há muitas questões a serem resolvidas, sem falar do ano eleitoral. Você que é conservador deve pensar em empresas que sejam geradoras de valor e em segmentos mais tradicionais. Busque construir sua carteira de maneira diversificada, investindo em setores diversos, mas sempre analisando com cuidado as empresas de cada setor.

Não embarque somente na análise da performance dos movimentos de mercado, mas sim no desempenho da empresa. Dedique-se a saber mais sobre a vida das empresas-alvo e de suas perspectivas nesse ambiente de crescimento. Procure montar uma carteira que tenha ao menos um banco, uma seguradora, empresas ligadas ao setor de infraestrutura, logística/concessão e uma ligada ao varejo. E, se você tiver disposição para um pouco mais de risco, as empresas do setor imobiliário devem esboçar alguma reação neste ano.

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