Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Moody's eleva rating da Petrobras de Ba3 para Ba2

Agência de risco subiu a nota de crédito da estatal depois de melhorar a perspectiva para o Brasil

Victor Rezende, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 21h43

A agência de classificação de risco Moody's elevou a nota de crédito da Petrobras de Ba3 para Ba2 e manteve a perspectiva estável. De acordo com a instituição, a ação de rating foi desencadeada pela melhora na perspectiva da nota Ba2 do Brasil, que passou de negativa para estável.

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Em comunicado divulgado na noite desta segunda-feira, 9, a agência afirma que a ação nos ratings da Petrobras "reflete o contínuo sucesso da empresa em melhorar suas métricas de crédito e posição de liquidez", que a Moody's espera que permaneçam sólidas no futuro previsível.

Para a agência, a estatal demonstrou disciplina na competição lucrativa no mercado local de combustíveis e na melhoria de suas políticas financeiras. Além disso, ressalta que "é particularmente notável a capacidade da empresa de refinanciar vencimentos de dívidas, o que reduziu o ônus dos compromissos de pagamento de curto prazo".

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A agência também aponta que a geração de caixa da Petrobras, nos próximos dois anos, deve ser mais que suficiente para cobrir as obrigações de caixa, além de gastos anuais de capital de cerca de US$ 33,1 bilhões. "Portanto, o produto da venda de ativos ajudará a empresa a reduzir o endividamento e atingir sua meta de 2,5x a dívida líquida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) antes do fim de 2018", afirma a Moody's.

A agência lembra que ainda há incerteza em torno das investigações sobre a empresa que correm na SEC, a CVM dos Estados Unidos, e no Departamento de Justiça americano (DoJ, na sigla em inglês). "No entanto, a probabilidade de que a Petrobras seja multada em uma quantia que afetará significativa e negativamente sua posição de liquidez diminuiu."

Na avaliação da Moody's, as notas de crédito da estatal são apoiadas pelo domínio da companhia na indústria petrolífera brasileira e sua importância para a economia do País. Contudo os ratings são limitados pelos altos níveis de endividamento, risco de execução de plano de negócios e, em menor grau, potencial impacto negativo de multas relacionadas à Operação Lava Jato.

Para a agência, a posição de liquidez da Petrobras é boa e a perspectiva sobre a nota "incorpora a visão de que o perfil de crédito da empresa continuará a melhorar gradualmente no futuro previsível".

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