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Mudança freia gastos, dizem especialistas

- Atualizado: 03 Fevereiro 2016 | 08h 16

Economistas dizem que se nada for feito haverá aumento explosivo de despesas; sindicatos querem debater

SÃO PAULO - As regras da Previdência precisam ser alteradas, mas as medidas em estudo pelo governo não serão suficientes para sanar o rombo atual, embora possam ajudar a frear o crescimento dos gastos, avaliam economistas.

Para Paulo Tafner, economista e pesquisador do Ipea, as medidas em estudo ao menos farão com que “trajetória do crescimento do gasto diminua”. “Estamos muito atrasados, pois a Previdência no Brasil está desajustada há 20 anos. Se nada for feito, o gasto previdenciário vai atingir 20% do PIB entre 2040 e 2050.”

Medidas propostas pelo governo não bastam para sanar rombo na Previdência, avaliam especialistas

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Raul Velloso, economista e especialista em contas públicas, tem dado semelhante. Segundo ele, os gastos até 2040 vão representar 24% do PIB, o dobro da participação verificada em 2012.

Em sua opinião, “não tem mais sentido a distinção entre homens e mulheres para a idade de aposentadoria”, pois as mulheres vivem mais. “Deveria ser 65 anos para os dois sexos.”

Tafner também defende uma idade mínima, como ocorre nos países desenvolvidos. “Não faz sentido uma pessoa no Brasil se aposentar aos 50 anos e viver mais 24 anos. Quem paga isso são as gerações futuras”, diz.

Velloso também defende mudanças no cálculo do salário mínimo – referência para o valor da aposentadoria. Ele acha que o aumento anual deve ter como base o PIB per capita e não o total.

A advogada previdenciária Marta Gueller, sócia do escritório Gueller, Vidutto e Portanova, pondera que, apesar de a mulher viver mais, lida com condições sociais desiguais. “É possível igualar a idade, desde que haja também uma política igualitária no mercado de trabalho”. Quanto à unificação das regras da Previdência rural com a urbana, ela afirma que a medida seria assimétrica. “A contribuição do segurado rural não é do mesmo valor, mas também os benefícios são menores. Ele vive menos e tem menos oportunidades: não pode pagar o pato por um caixa que já não está saudável desde a década de 80.”

Marta acredita que as medidas de ajuste enfrentarão uma luta intensa no Congresso e na opinião pública. “Já foi uma vitória para o trabalhador passar a fórmula 85/95, pois deveria ser muito mais do que isso.”

A Força Sindical não aceita que qualquer passo para uma reforma seja dado sem a participação de representantes dos trabalhadores. A Força argumenta que o Fórum Nacional da Previdência foi instituído, pelo próprio governo, com esse objetivo. A CUT informou que só vai discutir o tema no Fórum.

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