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Nilton Fukuda|Estadão

Mudanças na regra do seguro-desemprego ampliaram oferta de mão de obra, diz BC

Banco Central, porém, acredita que o efeito foi pequeno; taxa de desemprego teria aumentado nos últimos meses devido a reflexos do ajuste macroeconômico em curso no País

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Célia Froufe,
O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2016 | 10h01

FORTALEZA - As mudanças das regras do seguro-desemprego geraram um aumento da oferta de mão de obra, conforme estudo publicado hoje pelo Banco Central. Intitulado "Efeitos das Mudanças das Regras do Seguro-desemprego", o boxe que acompanha o Boletim Regional cita, porém, que o efeito dessa maior oferta de trabalho tem efeito relativamente pequeno sobre a taxa de desemprego. Por isso, de acordo com o documento, fatores como os reflexos do ajuste macroeconômico em curso no País concorrem para explicar o aumento da taxa de desemprego nos últimos meses.

As regras de concessão do benefício foram alteradas no início do ano passado e ficaram mais restritas. As mudanças no seguro-desemprego afetaram, principalmente, os trabalhadores com menos de um ano no emprego, e que tinham direito ao benefício em três parcelas. Desde março de 2015, não existe mais a possibilidade de acesso ao pagamento a trabalhadores com menos de um ano no emprego, restando apenas os beneficiários com mais tempo de serviço. 

Regiões. O ajuste no mercado de trabalho tem-se concentrado no segmento de empregos formais, em particular na indústria de transformação, no Sul e Sudeste, e na construção civil, no caso de Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O documento também cita que os rendimentos do trabalho, após aumentarem por vários anos acima da produtividade, recuaram em 2015, exceto no Centro-Oeste, onde esse movimento iniciou-se no primeiro trimestre do ano anterior.

"Este boxe avalia a disseminação da crise econômica atual pelas regiões do país, com ênfase em indicadores relacionados a investimentos, ao consumo, à indústria e ao mercado de trabalho", explicou o BC no início do documento.

De acordo com o relatório, a evolução do emprego vem repercutindo o processo de retração observado na economia do país. Após apresentar desaceleração na criação de postos de trabalho formais no período do primeiro ao terceiro trimestre de 2014, o mercado de trabalho do Brasil, registrou, de acordo com o BC, "corte crescente" de vagas no intervalo do quarto trimestre de 2014 até idêntico período do ano passado. Nesse período, o número de empregos formais acumulou retração de 3,8%.

O BC constatou que o processo de cortes de empregos formais se iniciou no quarto trimestre de 2014 em todas as regiões, exceto no Sul, onde começou no início do ano passado e mostrou-se mais brando, acumulando redução de 3,0% até o fim de 2015, com ênfase nas contribuições da construção civil e da indústria de transformação. Nas demais regiões, conforme o boxe, destacaram-se as reduções acumuladas do quarto trimestre de 2014 até iguais meses do ano passado de 6,1% no Norte e de 4,1% no Sudeste. 

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