Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Na ata do Copom, BC coloca o dedo na ferida sobre a crise fiscal

No documento, que explica os motivos considerados para a manutenção da taxa básica de juros a 14,25% ao ano, órgão chama a atenção para os prejuízos provocados pela deterioração das contas públicas; mercado agora aposta em nova alta da Selic

Adriana Fernandes, Célia Froufe, Victor Martins, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 12h57

BRASÍLIA - Defasada pelo anúncio da perda do grau de investimento do Brasil, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada nesta quinta-feira, 10, colocou o dedo na ferida para os prejuízos provocados pela deterioração das contas públicas com o déficit do Orçamento em 2016. 

A estratégia de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% em 2016 já não está mais fortalecida como antes. Mesmo em um quadro de recessão da economia brasileira, o mercado aposta agora na retomada de alta da taxa Selic e descartou a previsão de queda dos juros já na primeira metade do ano que vem.

O BC indicou que o processo de ajuste macroeconômico será mais "intenso" e "longo" do que o previsto, principalmente em um cenário que reflete os desdobramentos da Operação Lava Jato e a piora da crise política de governabilidade. O BC prefere chamar esses problemas de "eventos não econômicos", mas afirma que essas incertezas intensificam o processo de desaceleração da economia, com efeitos nos investimentos e na confiança. O consumo privado mostra sinais de contração.

A deterioração das expectativas em relação à política fiscal contamina o preço dos ativos, principalmente da taxa de câmbio, tornando mais difícil o trabalho de convergência do IPCA para o centro da meta. Para o BC, o envio do Orçamento com déficit afetou os preços dos ativos de forma significativa. Esse movimento levou a uma deterioração da percepção da economia.

Em linha com a estratégia do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o presidente do BC, Alexandre Tombini, e os diretores do BC reforçaram na ata a importância de garantir a meta de superávit primário das contas do setor público de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. Mesmo com esse cenário, o BC prevê agora que será mais lenta a contribuição da política fiscal para o combate da inflação.

A decisão do Copom foi tomada antes do anúncio de rebaixamento da nota do Brasil pela agência Standard & Poor´s, o que indica que as projeções de inflação podem piorar ainda mais. 

O BC também deu mais peso para a piora do cenário internacional. Alterou o seu cenário sobre o quadro externo desde a reunião do Copom anterior, possivelmente levando em consideração mudanças da economia chinesa. Os membros do Copom passaram a avaliar que a atividade global, agora, mostra maior moderação. Até então, o comitê considerava a atividade internacional "mais intensa".

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