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Na logística, recessão faz piorar o que já está ruim

Em 2015, os custos de logística (armazenagem, distribuição e transporte de mercadorias) aumentaram acima da inflação, tornando mais difícil administrar empresas já muito afetadas pela recessão. Esta agravou os custos, alguns dos quais são fixos (como o de manutenção de armazéns), enquanto outros crescem em razão da baixa qualidade da infraestrutura, pois o governo reduziu investimentos em ferrovias, rodovias, portos e aeroportos.

Pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) com 142 indústrias de 22 setores divulgada pelo Estado mostrou elevação média de 11,73% do custo de logística, com alta real de 1,8% em relação a 2014. Segmentos já muito atingidos pela recessão, que derrubou a produção industrial em 8,3% em relação a 2014, viram explodir esses custos. Por exemplo, no setor de metalmecânica os gastos com logística avançaram 60% (de 5% para 8,01%) e no de mineração, 58% (de 8,5% para 13,43%).

O professor da FDC Paulo Resende, especialista em infraestrutura, notou que “houve uma combinação desfavorável para as empresas em 2015: as receitas caíram e os custos logísticos continuaram a subir”. Foram mais afetadas as empresas com faturamento anual entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão, cujos custos cresceram, em média, 30%.

O Brasil tem notórias deficiências em logística. As ferrovias, vistas como mais competitivas no mundo, respondendo por 81% do transporte na Rússia e por 43% nos Estados Unidos, no Brasil pesam cerca de 24% na matriz de transportes. O transporte rodoviário representa cerca de 59% do transporte total de mercadorias, mas perde eficiência pelo mau estado de 57% das estradas pavimentadas, segundo a Confederação Nacional de Transportes. Em 2015, o governo investiu apenas R$ 5,9 bilhões em rodovias, 34% menos do que em 2014 (R$ 9 bilhões).

Números da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) de 2013 mostram que a malha ferroviária nacional tem só 33 mil km, com densidade (relação entre a malha e o território) quase seis vezes menor que a dos Estados Unidos e a da Índia, mas também muito inferior à de Argentina, Turquia, México, China e Rússia. O País perde competitividade entre os emergentes.

Em alguns casos, diz Resende, os custos de logística são tão altos que empresas fecham armazéns, vendem frotas de veículos e terceirizam o transporte para cortar custos fixos. Em mais um ano de recessão, o problema não será atenuado.

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