Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

'Não fui a um spa, fui a uma clínica médica', diz Pezão

Governador do Rio rebateu críticas sobre ir a estabelecimento diante da crise fiscal no Estado

Idiana Tomazelli e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2017 | 14h53

RIO - O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), fez nesta quinta-feira, 20, em Brasília, um desabafo endereçado aos críticos que o acusaram de ir a um "spa" em meio à crise financeira do governo do Estado, que impede o pagamento em dia de salários de funcionários públicos estaduais. "Eu não fui para um spa. Eu me internei numa clínica médica. Eu precisava de tratamento", disse.

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"Se eu não me cuidasse, meu médico falou que eu ia morrer." Pezão, por vezes, embargou a voz ao lembrar do câncer que enfrentou em 2016 e da decisão de contrariar os médicos para voltar ao trabalho antes do previsto. "Saí do tratamento em outubro, contrariando meus médicos. Todos eles tinham pedido que eu aguardasse até fevereiro, março, e eu não aceitei os conselhos. Eu perdi toda minha musculatura do corpo. Eu não tinha força para levantar de uma cadeira; eu levanto apoiando", disse.

Ele recordou ainda que passou 19 semanas de 2017 na capital federal para tentar conquistar o apoio dos parlamentares para a lei que criou o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) de governos estaduais. É no âmbito dessa legislação que o governo do Rio agora negocia um socorro financeiro com a União, com a suspensão de dívidas e dinheiro novo por meio da venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

Pezão até mesmo disse que tem cobrado do presidente Michel Temer celeridade nas negociações. A ida do governador do Rio ao spa Rituaali, em Penedo, no sul do Estado, despertou a ira de funcionários públicos estaduais que estão sem receber as remunerações regularmente.

O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais do Rio de Janeiro (Muspe-RJ) criticou a escolha e disse que, em meio à "crescente falta de segurança, falência da saúde pública e atraso de salários, Pezão mostra absoluta falta de bom senso, hospedando-se num ambiente de luxo e ostentação".

A permanência de um casal por uma semana neste local custa de R$ 14 mil a R$ 27 mil. Nesta quinta-feira, o governador afirmou que a estada foi paga com recursos próprios e ofereceu cópias do cheque usado para pagamento e da nota fiscal do serviço prestado pelo estabelecimento. 

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