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'Não podia mais perder tempo'

Matheus Seicenti é formado em Ciências Aeronáuticas há três anos. Trabalhou durante três meses. Cansado de esperar sua carreira decolar, pegou um avião para os EUA no dia 6 de outubro.

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O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2016 | 03h00

Graduado pela Universidade de Uberaba (Uniube), o piloto comercial, natural de Monções (SP), estava sem trabalho desde agosto. Na maior parte do tempo, voava de graça para pegar horas de voo, principalmente por São José do Rio Preto (SP), Goiânia (GO) e Palmas (TO).

“Eu já tinha cansado de esperar por um emprego que desse certo. E como vou fazer 26 anos em janeiro, vi que não podia perder mais tempo e que precisava ganhar dinheiro logo”, conta Matheus.

Nas eleições de 2014, o piloto trabalhou em Palmas para um deputado federal – que saiu derrotado das urnas, vendeu o avião e ainda deve salários a Matheus. Ele ainda voou para uma empresa de energia elétrica em Macapá, mas os voos eram esporádicos.

Matheus trabalhou somente com avião monomotor, ganhando R$ 250 por hora de voo. Em bimotor, voou somente para acumular horas. “Desde que me formei, me falavam assim: ‘No próximo ano, a aviação vai voltar a melhorar’”.

Quando chegou a Brighton, em Massachusetts, trabalhou pintando casas, instalando revestimentos de madeira do lado de fora de residências e, por causa do tempo frio, está empregado em um restaurante, preparando hambúrgueres. Ele já ganha mais do que o dobro do salário no Brasil, onde pilotos começam ganhando cerca de R$ 2 mil por mês.

O paulista pretende ficar nos Estados Unidos até a economia do Brasil melhorar, ou até juntar uma boa quantia em dinheiro. “Previsão de anos, de quanto tempo eu vou ficar, eu não tenho muito não. Vai depender”, conta.

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