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David Moir/Reuters

Não se deixem levar pelo entusiasmo

Aéreas de baixo custo vivem bom momento na Europa, mas competição está cada vez maior

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O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2016 | 06h16

Em 2013, as duas maiores companhias aéreas de baixo custo da Europa, Ryanair e easyJet viviam um inferno astral. Na easyJet, a estratégia da empresa era motivo de divergências entre seus executivos e o fundador e maior acionista da companhia. Já a Ryanair teve de emitir, pela primeira vez em dez anos, dois alertas sobre lucros inferiores aos previstos. Três anos depois, as coisas parecem mais auspiciosas. Nos próximos dias, as duas aéreas – que juntas detêm 47% do mercado de baixo custo na Europa – devem divulgar resultados extremamente positivos para o quarto trimestre de 2015.

Ambas as companhias dizem que o sucesso se deve ao fato de terem tornado seus voos mais atraentes para os homens e mulheres de negócios. Antes, sua clientela era formada principalmente por turistas frugais, que não se importavam em fazer um voo desconfortável, contanto que fosse barato. Mas, como perceberam os executivos da easyJet e da Ryanair, ainda havia um grande mercado a ser explorado: o das viagens de negócios de curta distância, que permanecia nas mãos das companhias aéreas tradicionais.

A easyJet saiu na frente: reintroduziu a escolha de assentos, mediante pagamento, em novembro de 2012; e passou a oferecer confortos adicionais, como lounges nos aeroportos para os executivos que não desejassem chegar amarrotados a suas reuniões.

Em setembro de 2013, a Ryanair seguiu o mesmo caminho: o presidente da companhia, Michael O’Leary, divulgou planos destinados a melhorar o atendimento ao consumidor. Em 2014, a aérea introduziu suas reservas “Business Plus”, que oferecem um pacote de serviços voltados para clientes corporativos, como passagens flexíveis e o direito a transportar bagagem de maior volume, além da mala de mão.

Há outras estratégias, não tão óbvias, que as duas empresas vêm adotando para atrair o público corporativo, diz John Strickland, especialista em aviação da JLS Consulting. A fim de conquistar a preferência de indivíduos para quem tempo é dinheiro, a Ryanair está transferindo seus voos para aeroportos bem mais próximos de cidades que têm vida executiva movimentada, como Bruxelas e Paris. Ao mesmo tempo, a companhia está abandonando voos para destinos secundários, a fim de aumentar a capacidade de atendimento em rotas mais procuradas por homens e mulheres de negócios.

Na opinião de Douglas McNeill, do banco Macquarie, porém, o impacto dessas mudanças sobre os resultados das duas aéreas é superestimado. A easyJet enfrentou dificuldades para elevar o número de clientes de perfil corporativo como proporção do total de seus passageiros. O que realmente tem permitido às duas empresas aumentar as margens de lucro é a queda nos preços do petróleo.

Agora que os hedges da Ryanair contra aumentos nos preços dos combustíveis expiraram, suas margens devem aumentar ainda mais.

Rivais. Acontece que a concorrência no mercado europeu de aviação é tão acirrada que o excesso de lucros em breve será drenado pela guerra de preços, ainda mais considerando que a Ryanair e a easyJet planejam continuar expandindo sua capacidade em até 10% ao ano. Segundo projeções do banco RBC, o faturamento por passageiro da Ryanair cairá 9% em 2016. O crescimento de outras aéreas de baixo custo, como a norueguesa Air Shuttle, a húngara Wizz Air e a espanhola Vueling, também deve pressionar para baixo o preço das passagens.

Na corrida rumo ao baixa-mar dos preços, a Ryanair deve sair vencedora: a aérea irlandesa ainda opera com os menores custos unitários do setor. Mas, com as concorrentes nos calcanhares da companhia, recomenda-se a seus acionistas que aproveitem enquanto podem – em breve serão os consumidores que estarão desfrutando dos benefícios proporcionados pela queda nos preços do petróleo.

© 2015 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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