TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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‘Não sei onde os preços dos alimentos caíram'

Gerente predial cancelou compras para 2018 e conta com ajuda dos filhos

Fernando Scheller, O Estado de São Paulo

31 Dezembro 2017 | 05h00

O gerente predial Edivaldo Grosso, de 63 anos, encaixa-se perfeitamente no perfil “clássico” do consumidor da classe C. Ao lado da esposa, que trabalha como auxiliar de serviços gerais, ele contabiliza uma renda total de R$ 3 mil em sua residência. Apesar de ele a mulher estarem empregados, a alta do custo de vida nos últimos anos fez a família “cortar tudo o que é supérfluo”.

“Eu não sei onde os preços dos alimentos caíram. Eu, toda vez que vou ao supermercado, acho tudo mais caro”, diz Edivaldo. Outro vilão do orçamento, segundo ele, é o preço do gás de cozinha, que está perto de R$ 100 no bairro onde mora, na região do Jabaquara, zona sul de São Paulo.

Os gastos fixos da casa – onde vivem Edivaldo, a esposa e uma filha já adulta – se resumem à compra de comida e ao abastecimento do carro. “Eu tenho carro porque preciso para o meu trabalho”, explica. Os tempos de compras e trocas de eletrodomésticos ficaram para trás, até porque Edivaldo tem dois cartões de crédito que foram bloqueados. “Hoje eu pago o acordo que fiz com o banco. Enquanto não pagar, não tenho crédito.”

Quando precisa de dinheiro extra, precisa recorrer à família. “Tenho mais dois filhos casados. E aqui é assim: às vezes o pai ajuda o filho, às vezes o filho ajuda o pai.” Edivaldo não tem nenhuma compra programada para 2018. “Tenho televisão e computador, mas a gente não pensa em comprar modelos novos. Se quebrar, vamos mandar consertar. Se não tiver conserto, espera a hora de conseguir comprar.”

Quanto às opções de diversão, a residência de Edivaldo – que não paga aluguel, pois a esposa herdou o imóvel onde a família mora – tem pacote de internet de 1GB (o mais barato disponível no mercado), TV a cabo básica e assinatura do Netflix. “Essas são coisas mais para a minha filha. Eu só uso a internet para ver o Facebook.”

Chegando aos 64 anos, Edivaldo se movimenta também para requerer a aposentadoria no ano que se inicia. “Mas eu vou continuar a trabalhar, mesmo que em um ritmo mais sossegado”, diz o gerente predial. “Senão as contas não fecham.”

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