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Economia

BNDES

Nas rodovias, dúvidas sobre o financiamento

Sobre os projetos de rodovias pairam dúvidas, em particular de ordem financeira. Nas concessões de 2013 e 2014, as empresas entravam nas concessões de rodovias com a garantia implícita de que teriam financiamento do BNDES. Para dar início às obras, conseguiam um empréstimo-ponte num banco privado, com a perspectiva de que se transformaria num empréstimo do BNDES. Em 2014 e, em especial, em 2015, o BNDES adiou a contratação dos empréstimos e as empresas foram obrigadas a repactuar os financiamentos com bancos privados. Apenas duas concessionárias, Rodovias Minas Gerais Goiás S/A (MGO Rodovias), que arrematou a BR-050/GO/MG, e CCR, com o trecho da BR-163 de Mato Grosso Sul, conseguiram financiamento de longo prazo. “Hoje, não se sabe ao certo de onde virá o dinheiro para as concessões”, diz Cláudio Frischtak, da Inter.B Consultoria Internacional.

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Alexa Salomão,
O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2016 | 18h07

O governo acredita que pode licitar oito estradas neste ano, mas a única dada como certa pelo mercado, até agora, é a chamada Rodovia do Frango, que tem, na avaliação dos investidores, bom potencial de retorno e um projeto redondinho. Em favor das rodovias, Maurício Muniz, do Planejamento, argumenta que o mercado se movimentou: 341 empresas pediram para fazer estudos de 11 trechos, 275 foram autorizados e o governo espera receber três ou quatro projetos até o fim de janeiro.

Muniz também destaca que o governo reviu algumas exigências para atender aos investidores. Como a maioria questiona que os novos trechos têm fluxo inferior ao das concessões anteriores, não será preciso duplicar toda a concessão em cinco anos. Só a partir de um determinado volume haverá expansão – institui-se, como se diz no jargão do setor, um gatilho. “Achamos que essa mudança gera uma atratividade maior, pois a exigência de capital será menor”, diz ele.

Haverá um tratamento especial principalmente em relação à concessão de quase mil quilômetros da BR-163, entre Sinop e o Porto de Miritituba, no Pará. Quem arrematar terá apenas de asfaltar 100 km de pista simples, não haverá exigência de duplicação e o prazo da concessão será de entre 10 ou 15 anos. As condições mais leves levam em consideração que o governo quer licitar a concessão do chamado Ferrogrão, ferrovia paralela a esse trecho da rodovia que, ao ser concluída, tende a concentrar o transporte de grãos na região. 

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