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Nível da água no copo

José Paulo Kupfer

Pode não haver imagem mais gasta, mas talvez nenhuma se preste melhor para descrever o atual estágio de alguns grandes projetos em andamento no Brasil: o copo está com água pela metade. É possível, por isso mesmo, vê-lo como meio cheio ou meio vazio.

Essa é a realidade em toda parte, mais ainda em regiões distantes do eixo formado pelo Sul-Sudeste. As ótimas reportagens da colega Renée Pereira sobre os impactos dessas grandes obras na Região Norte, publicadas pelo Estado nos três últimos domingos, por exemplo, ajudam a dimensionar a amplitude das transformações que estão ocorrendo a mais de 3 mil quilômetros de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mostram também os imensos desafios para assegurar que as mudanças revertam em benefícios sociais, inserção de mão de obra e giro de negócios.

Duas cidades, diretamente afetadas pela construção de grandes usinas hidrelétricas, mostram realidades diferentes. Altamira, no Pará, que ainda recebe os impulsos de Belo Monte, obra gigantesca em andamento - e um ano atrasada, em relação ao último cronograma - vive um boom. Com o comércio em alta, até um shopping center está sendo erguido. Moradores de palafitas começam a ser transferidos para quatro novos bairros, servidos por rede de água e esgoto. Mas o trânsito vai ficando caótico e a criminalidade aumenta.

Já Porto Velho, em Rondônia, começa a sofrer o refluxo do fim das obras de Jirau e Santo Antônio. A onda de empregos, que chegou a atrair 40 mil trabalhadores, esfriou, os preços dos imóveis estabilizaram em ponto mais baixo. Não foram criadas alternativas de trabalho para quando as usinas ficassem prontas. No lugar de Mutum, distrito de Porto Velho, alagado pelo reservatório de Jirau, a concessionária da usina construiu, numa área mais distante, uma nova localidade, com 1,5 mil casas, para abrigar a população transferida e funcionários da nova hidrelétrica. Mas nem todos estão se adaptando ao novo bairro menos provido de comércio e se mudaram para aglomerados precários, mas menos distantes de Porto Velho.

Em meio ao surgimento de problemas urbanos antes desconhecidos na região, o progresso vai fixando raízes. Um bom exemplo: em abril deste ano, a multinacional Bunge, gigante global das commodities agrícolas, inaugurou um complexo portuário para exportação de grãos do Centro-Oeste, nas cidades de Miritituba e Barcarena, no Pará.

Essa é uma das pontas de um vasto programa de investimentos em rodovias e hidrovias - o corredor norte -, tanto para exportar grãos quanto para servir o Sul-Sudeste pelo transporte via cabotagem. Grandes exportadoras de grãos estão envolvidas em projetos milionários na região.

Um olhar mais micro para as transformações em curso no País, como o oferecido pelas reportagens do Estado, ajuda a delimitar melhor o nível da água que vai enchendo o copo do desenvolvimento. Sem ele, os diagnósticos ficam dependentes demais de indicadores agregados - e, portanto, mais incompletos e sujeitos a desvios. Em razão disso, vivemos sendo surpreendidos por progressos não detectados enquanto vão se formando.

Um bom exemplo do que se está dizendo pode ser encontrado no último Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, com base em informações municipais e dados até 2011, divulgado em maio. Numa escala de 0 a 1, o índice de desenvolvimento dos municípios brasileiros, que mede a situação da educação, da saúde e do emprego/renda, avançou de 0,6136, em 2005, para 0,7320, em 2011. Mais da metade dos municípios já apresentava então índice de desenvolvimento moderado e dois em cada três deles subiram no ranking entre 2010 e 2011.

Trata-se de uma indicação de que há futuro. E que ele tende a ser melhor do que o passado.

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