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Economia

Estados Unidos

Nos EUA, preço baixo desafia produtoras de petróleo de xisto

Com cotação pouco acima de US$ 40, empresas do gênero são afetadas pela crise das commodities

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Agências internacionais

21 Março 2016 | 03h00

Além do gás de xisto, os Estados Unidos viveu nos últimos anos a revolução do petróleo de xisto, o shale oil. Um grupo de pequenas produtoras de petróleo de xisto americanas e canadenses passou a desafiar as produtoras tradicionais de petróleo – reunidas na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep – com suas estruturas altamente competitivas.

Agora, porém, com os preços do óleo pouco acima de US$ 40 e com gigantes como a Arábia Saudita mantendo suas estruturas a pleno vapor, os produtores de petróleo de xisto podem se ver em maus lençóis. O óleo de xisto pode não ser viável a preços baixos e colocar em risco a saúde financeira das empresas americanas no setor e também de seus investidores e distribuidores.

Na opinião dos analistas do Deutsche Bank ouvidos pela revista britânica The Economist, enquanto os preços do petróleo bruto ficarem abaixo de US$ 55 o barril, essas companhias devem passar apuros financeiros. Os analistas observam que as empresas de energia são responsáveis por cerca de um sexto das emissões de títulos de dívida de alto risco nos EUA.

Com o aumento dos juros pelo Federal Reserve (banco central dos EUA), a expectativa é que o apetite pela cadeia do xisto – ativos que oferecem alta rentabilidade, mas também risco considerável – possa diminuir. No caso do gás de xisto, há hoje um excesso de oferta nos Estados Unidos. No entanto, há quem garanta que haverá demanda para o gás. Reportagem da The Economist aponta que alguns executivos do setor acreditam que a demanda crescerá pela necessidade de gás natural para alimentar usinas termoelétricas americanas, pelas exportações de gás para o México e pela perspectiva de que os Estados Unidos reforcem as exportações de gás natural liquefeito para outros países.

Distribuição. Os investimentos na cadeia do xisto nos Estados Unidos não se resumem à produção em si, mas também ao transporte de gás e petróleo. A texana Energy Transfer, por exemplo, tinha 320 quilômetros de gasodutos e oleodutos em 2002. Agora, segundo a revista britânica, a mesma companhia tem nada menos de 114 mil quilômetros construídos, aos quais acrescentará outros 53 mil quilômetros, graças a uma aquisição que deve ser completada ainda em 2016. No caso do petróleo de xisto, restam dúvidas se haverá compradores. 

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