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Nota de Tombini embaralha apostas do mercado financeiro para taxa de juros

- Atualizado: 20 Janeiro 2016 | 14h 47

Após a nota divulgada pelo presidente do BC às vésperas da reunião, analistas se dividem entre alta de 0,50 ponto, 0,25 ponto ou manutenção da Selic

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini

SÃO PAULO - A nota do Banco Central (BC) com comentários sobre as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia brasileira embolou o quadro de apostas para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta noite. A previsão de alta da Selic em 0,50 ponto porcentual, que até segunda-feira era majoritária entre os profissionais dos Departamentos Econômicos, perdeu muito espaço, assim como visto na curva de juros. Mas ainda tem a maior parte da fatia das apostas entre os economistas, conforme levantamento atualizado hoje pelo AE Projeções. Entre 55 instituições, a previsão de 23 delas ainda é de aumento da taxa básica para 14,75%, enquanto 16 acreditam em avanço para 14,50% e outras 16 esperam manutenção dos atuais 14,25%. Em levantamento semelhante na semana passada, com 70 casas, 62 previam elevação de 0,50 ponto; sete manutenção dos 14,25%; e uma aumento de 0,25 ponto.

Na prática, a maioria manteve apenas oficialmente a projeção de 0,50 ponto porcentual e admite que esta possibilidade perdeu muita força em função da divulgação da nota do BC sobre as projeções mais pessimistas do FMI - queda de 3,50% para o PIB do Brasil em 2016 e crescimento nulo para 2017. Na nota, o presidente do BC, Alexandre Tombini, diz que as mudanças foram "significativas" e, o que parece óbvio mas não foi lembrado à toa, "todas as informações econômicas relevantes e disponíveis até a reunião do Copom são consideradas nas decisões do colegiado". Ao mesmo tempo, essa sinalização de Tombini é o argumento central daqueles que mudaram sua estimativa.

O Banco Pine está entre os que alteraram sua projeção de alta de 0,50 ponto para estabilidade. "O Tombini tinha ciência da repercussão do seu comunicado. Se a ideia era dar 0,25, o comunicado não era necessário - banqueiro central fala pouco e prefere usar as comunicações formais. Logo, entendo que o seu voto só pode ser na manutenção e presidente do BC não perde votação no Copom", disse o economista Marco Caruso. Para ele, o placar será dividido. "Deixarão o juro em 14,25% com manutenção dos dissidentes, pois a desistência dos dissidentes deixaria explícita a ingerência sobre todo o colegiado", completou, referindo-se aos diretores Tony Volpon e Sidnei Corrêa Marques, que haviam defendido um aumento de 0,50 ponto na taxa no encontro de novembro.

O Banco Safra também agora espera estabilidade dos juros em 14,25%. "Mudamos de alta de 50 pontos-base para manutenção. Há um risco claro de ser 25 ponto, mas a mensagem foi bem significativa. Daí pensar em manutenção, o que, afinal, vem sendo defendido por muita gente séria, apesar, é claro, do enorme ruído verificado na comunicação", afirmou o economista-chefe Carlos Kawall.

Já a SulAmérica Investimentos ainda espera 0,50 ponto, mas reconhece que cresceu a possibilidade de o BC promover um aumento de 0,25 ponto ou mesmo manter os 14,25%. "Já não tenho mais a segurança que tinha antes. Tecnicamente, uma alta de meio ponto é necessária para conter o avanço nas expectativas de inflação e por causa da baixa credibilidade", disse o economista-chefe Newton Camargo Rosa.

Igualmente, na LCA, o cenário básico de Selic em 14,75% em janeiro está mantido, mas a consultoria alerta que a nota do presidente do BC abre a possibilidade de um aumento menor ou até mesmo da continuidade do juro em 14,25%. A instituição lembra que o principal objetivo da equipe econômica é a retomada do crescimento sem a utilização de recursos do Tesouro Nacional. "Assim, a expansão do crédito a um custo acessível seria uma medida importante para alcançar esse objetivo", afirmam os profissionais. "Em segundo lugar, as pressões políticas contra uma política monetária conservadora aumentaram muito após a saída de Joaquim Levy (da Fazenda)", complementaram.

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