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Na Lapa, o fim da última livraria

Negócio que nasceu em 1965 agora sai de cena

Maria Fernanda Rodrigues

- Atualizado:27 Fevereiro 2016 | 19h 41

A Lapa perdeu ontem, 27, sua última livraria de rua. Afonso Marin, 33 anos e terceira geração à frente do negócio criado por Manoel José Martins Pintor em 1965, seu tio-avô, desistiu de tentar sair do vermelho e fechou as portas da Sampa Books – até a chegada de Afonso à administração, em 2014, ela se chamava Supercap. 

Mas a relação de livreiro com a loja é mais antiga e simbólica. Quando ele nasceu, em 1982, seu pai já estava no comando havia dez anos. Foi ali que ele passou a infância. Foi dali que veio o sustento da família. “Tudo o que nossa família conquistou saiu dessa loja. E aprendemos muito ali dentro”, conta. Na adolescência, ajudava no caixa, no pacote, onde fosse preciso. Quando resolveu comprar a livraria do pai, a ideia era transformar a empresa familiar numa loja atrativa. As filas da época de volta às aulas que dobravam a rua 12 de Outubro tinham ficado no passado.

Presidente da Associação Nacional de Livrarias, Marin diz que o setor está “sem sistema imunológico”. Um dos causadores da crise, ele diz, é o fato de ter de concorrer com seu fornecedor – no caso, editoras que vendem direto ao consumidor. “Ficou insustentável ter uma livraria. O varejo é a ponta da lança e não tem suporte da cadeia para continuar”, diz. A situação foi ficando mais difícil do segundo semestre do ano passado para cá, com a queda expressiva de movimento. “Uma senhora que vinha quando criança e depois passou a trazer os netos chorou quando soube que fecharíamos. É um momento muito frustrante, não sei o que vou fazer depois que encerrar esse ciclo.” 

Marin diz que venda direta afetou o seu negócio

Marin diz que venda direta afetou o seu negócio

A Sampa Books não foi a única. Em 2015, a Solário (Rio, 22 anos), a Status (Belo Horizonte, 40 anos) e a Valer (Manaus, 25 anos) saíram de cena. Uma crise que não atinge apenas as independentes e diz respeito a diversos fatores – do aumento do aluguel e má administração à falta de leitores. Maior rede de livrarias, a Saraiva fechou duas lojas no Rio de Janeiro. A Cultura, por sua vez, abortou novas aberturas e está revendo contratos. “A crise só acentua um problema pelo qual o varejo passa: o consumidor não precisa de loja. Precisamos pensar no futuro da loja física”, diz Sérgio Herz, presidente da rede. Seu e-commerce já vende mais que qualquer uma das 17 lojas da marca.

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