Chris Goodney/Getty Images
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'Novo conselho deve agilizar as decisões da Oi'

Segundo o presidente da Oi, Bayard Gontijo, a mudança deverá acelerar a tomada de decisões da empresa. Quarta maior operadora do País, a empresa enfrenta hoje um forte endividamento. O fim do bloco de controle faz parte do acordo de reestruturação da empresa, que já tentou algumas vezes implantar a medida. Confira os principais trechos da entrevista:

Entrevista com

Bayard Gontijo, presidente da operadora Oi

Cátia Luz e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2015 | 02h04

A Oi deve concretizar hoje a mudança de seu conselho de administração. Se a proposta for aprovada em assembleia, o bloco de controle da empresa - formado por grupos como Andrade Gutierrez, Jereissati, e o português Pharol - deixará de existir e não terá mais poder de veto sobre as propostas enviadas pelo corpo executivo da companhia ao conselho de administração.

Quais mudanças práticas o novo conselho trará para a Oi?

A Oi tinha um bloco de controle com sócios como a Andrade Gutierrez, o grupo Jereissati, o BNDES e os fundos de pensão (Petros, Previ e Funcef), além da Portugal Telecom. A Telemar Participações controlava a Oi. Eram vários acordos de acionistas que tinham de ser respeitados. Agora, esses acordos deixam de existir e a Telemar será incorporada à Oi. O novo conselho será independente e não há poder de veto. Tudo será decidido pelo voto.

Como era a tomada de decisão antes e como fica agora?

No conselho anterior, a direção da companhia submetia um assunto e, antes que ele pudesse ser apreciado pelo conselho, podia ser vetado pelos controladores. Muitas vezes, a proposta nem chegava a ser discutida. Agora, a administração submete diretamente ao conselho, não há nenhuma esfera anterior.

Como o novo conselho foi formado?

São 11 membros. O BNDES indicou um deles. Serão dois independentes: Ricardo Malavazi, que foi da Petros um tempo atrás, e Sérgio Quintella, presidente da Fundação Getúlio Vargas; há dois independentes estrangeiros: Robin Bienenstock (ex-analista chefe da Sanford C. Bernstein na Europa) e Marten Pieters (ex-presidente da Vodafone Índia). Temos representantes do bloco português que foram indicados pela Pharol, antiga PT SGPS: Jorge Cardoso, Francisco Cary e Rafael Luís Mora. Desses todos, os remanescentes são o José Mauro Carneiro da Cunha, que é o chairman (presidente do conselho), o Rafael Mora e o Sérgio Quintella, que era indicado da Andrade Gutierrez e agora segue como independente.

Quem elege esse conselho?

Esse conselho foi indicado pelo conselho anterior e será submetido hoje a assembleia. O mandato vai até a próxima assembleia geral ordinária, marcada para 2017. A partir deste conselho, a gente passa a funcionar como corporação. Depois (a partir de 2017), o conselho será apontado por meio de assembleia geral em que os acionistas terão poder de indicar seus representantes.

Esse novo conselho deixa a empresa mais ágil?

Sim, porque teremos um processo mais rápido do ponto de vista de governança. Antes a gente tinha algumas etapas antes de chegar ao conselho de administração. É um passo adiante para a Oi, foi uma promessa na reestruturação e entendemos que vai trazer benefícios ao negócio.

A mudança traz benefícios de imagem?

Essa questão de não ter mais minoritário e controlador ajuda muito. O tratamento fica mais equitativo.

No futuro, acionistas relevantes poderão indicar conselheiros para a Oi?

Lá na frente, as empresas que comprarem ações e tiverem uma participação relevante poderão indicar conselheiros.

Se a participação atual se mantiver, quem teria força atual para indicar conselheiro hoje?

O BNDES tem força para indicar. A Pharol também têm. Mas isso pode mudar de acordo com a movimentação dos papéis (na Bolsa).

O BTG é sócio da Oi e também foi contratado pela companhia para buscar opções de consolidação do setor. Não há um conflito de interesses?

Não, porque o BTG não toma decisões estratégicas pela companhia, não tem assento no conselho. O BTG hoje aconselha e explora alternativas que viabilizem a consolidação do setor de telecomunicações.

A Oi acredita que a consolidação do setor de telecomunicações no País é inevitável?

Acreditamos que a consolidação não ocorre no Brasil sem a participação da Oi. O setor tem três grupos convergentes, que prestam diferentes serviços: um espanhol, um mexicano e um brasileiro. E o brasileiro é o menor entre eles e pode se combinar com qualquer um dos concorrentes sem gerar concentração de mercado.

A Oi tem um forte endividamento. Isso pode impedir sua participação na consolidação?

Talvez mais importante que a questão da dívida seja a agenda regulatória. O arcabouço regulatório de telecomunicações está ultrapassado e precisa ser revisado com urgência. A gente tem de manter um parque de 600 mil orelhões, serviço que nos custa aproximadamente R$ 400 milhões com uma receita de menos de R$ 20 milhões por ano.

A Oi é a favor de uma maior regulação para serviços como o WhatsApp?

As OTTs (serviços semelhantes ao WhatsApp) são uma realidade e teremos de nos adaptar. Defendo que, assim como as empresas de telecomunicações, as OTTs também tenham regulação. Esse é um tema mundial. Ao usar um ativo de uma operadora, as OTTs têm de remunerá-lo. Algumas OTTs usam os números de telefone para prestar seu serviço - e as operadoras pagam pelos números.

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