Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Economia & Negócios

Economia » Nubank prepara programa de milhagem

Economia & Negócios

ALEX SILVA | ESTADAO CONTEUDO

Economia

Accenture

Nubank prepara programa de milhagem

Startup tenta atrair consumidores de alta renda para cartão gerenciado por aplicativo

0

Claudia Tozetto,
O Estado de S.Paulo

21 Março 2016 | 03h00

A Nubank, startup brasileira que oferece um cartão de crédito sem anuidade com gestão por meio de um aplicativo, se prepara para dar o próximo passo na evolução do serviço. A empresa – que já recebeu US$ 98 milhões em investimentos desde sua fundação, em 2013 – deve anunciar em breve um programa de fidelidade que permitirá que seus clientes acumulem pontos e os troquem por passagens aéreas. “Não atendemos os clientes interessados em programas de milhagem, que têm renda mais alta”, disse o cofundador e presidente executivo da Nubank, David Vélez, em entrevista ao ‘Estado’. “Ainda não chegamos lá.”

Até o momento, conforme a Nubank, mais de 2 milhões de pessoas já solicitaram o cartão de crédito – a empresa não revela quantas delas tiveram seu perfil de crédito aprovado e efetivamente receberam o cartão. Outras 400 mil ainda estão na “fila de espera”: já solicitaram o cartão, mas ainda aguardam a análise de crédito. “Não existe nenhum outro produto financeiro no mundo que conseguiu ‘viralizar’ como o nosso”, comemora o fundador da Nubank. “As pessoas não acordam querendo um cartão de crédito novo.”

O programa de fidelidade já está nos planos de Vélez há bastante tempo, mas o executivo evita fixar uma data para o lançamento. Apesar disso, segundo fontes do setor, funcionários da Nubank já fizeram algumas reuniões nos últimos meses com empresas que oferecem programas de fidelidade, como a Smiles e a Multiplus – que têm as companhias aéreas Gol e TAM como maiores acionistas, respectivamente. “Já tivemos contato com a Nubank, mas ainda não há nada desenvolvido”, disse uma fonte. 

A descrição do atual momento da Nubank bate com o discurso de Vélez. Segundo ele, lançar um programa de fidelidade não é uma tarefa simples. O executivo afirma que não pretende adotar políticas de recompensa iguais às dos bancos tradicionais que atuam no Brasil. A empresa busca um modelo menos complexo. “Não faz sentido que o cliente não consiga ver os pontos recebidos em tempo real ou tenha um monte de obstáculos na hora de emitir uma passagem”, explica Vélez. “Queremos um programa de recompensas compatível com os valores do Nubank, de transparência e simplicidade.”

 

Entraves. Em 2015, de acordo com dados divulgados no início de março pela Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito (Abecs), os programas de recompensa transferiram mais de R$ 2,8 bilhões em recompensas para os clientes, 21,6% a mais que em 2014. O alto potencial, porém, esconde particularidades que podem travar a inovação no setor.

A principal delas está relacionada ao cálculo dos pontos, que é atrelado à cotação do dólar. Atualmente, os cartões de crédito informam na fatura quantos pontos o cliente vai receber se pagar o boleto. Como o ponto é atrelado à cotação do dólar no fechamento da fatura, é tecnicamente difícil informar o saldo em tempo real. O cliente pode trocar seus pontos por produtos, como eletrônicos, e passagens aéreas no ambiente do próprio banco ou transferi-los para programas de recompensa de terceiros. “Os bancos investem nos programas de milhagens, porque eles atraem os clientes que mais gastam e que são mais fiéis”, diz o diretor da Abecs, Leonel Andrade.

Para o diretor de inovação aberta da consultoria Accenture, Guilherme Horn, a Nubank terá de oferecer um programa de fidelidade para conseguir aumentar sua base de clientes. E, segundo ele, há oportunidades para repensar a lógica de gestão dos programas de fidelidade. “É possível informar em tempo real os pontos acumulados a cada compra, deixando claro para o consumidor que se trata de uma estimativa”, sugere Horn.

Nubank muda de escritório

Quem chega ao novo escritório da Nubank, um prédio de oito andares em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, logo nota alguns sinais da mudança recente. Há poeira por todo lado e a equipe – que passou de 35 pessoas em janeiro de 2015 para 320 funcionários – ainda se espreme em apenas um andar, enquanto os outros ainda estão em reforma.

“Vamos sublocar alguns andares para outras startups, mas a ideia é ocupar o prédio inteiro nos próximos anos”, conta Vélez.

O escritório, que foi inaugurado em janeiro, ganhou visual moderno, com decoração na cor cinza e alguns detalhes no roxo que diferencia o cartão dos rivais – no térreo, há um painel grafitado feito especialmente para a startup próximo à recepção.

 

Mais conteúdo sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.