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Números reveladores de uma situação dramática

Os dados gerais muito negativos do varejo ficaram perfeitamente conhecidos com a divulgação da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE. Já os números apurados pela FecomercioSP e pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostraram o impacto perverso da recessão não apenas para os consumidores, mas para as empresas varejistas. Eles dão a dimensão do drama vivido pelo setor.

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23 Fevereiro 2016 | 03h18

Em 2015, no pior momento para as vendas em 15 anos, foram fechados 95,4 mil estabelecimentos comerciais com pelo menos um empregado, segundo a CNC. A queda foi de 13,4% em relação a 2014, porcentual muito mais elevado do que o do recuo do volume de vendas no período, de 8,4%.

O fechamento de uma loja não afeta apenas empregados e proprietários do estabelecimento, mas fornecedores, locadores e a receita tributária de União, Estados e municípios. É notório o aumento do número de lojas fechadas em shoppings e grandes avenidas. A situação piorou muito em 2015. Já havia recessão em 2014, mas, se as vendas caíram 1,6%, o número de lojas cresceu 1,6%.

O fechamento de estabelecimentos ocorreu nos 11 segmentos analisados pela CNC, mas foi mais notável em materiais de construção (18,3%), informática e comunicações (16,6%) e móveis e eletrodomésticos (15%). A queda foi grande inclusive em segmentos de consumo necessário: 25,6 mil hiper e supermercados foram fechados. Por regiões, entre os Estados mais atingidos estiveram Espírito Santo, Amapá e Rio Grande do Sul. Só em Roraima o número de lojas abertas foi positivo. O Estado de São Paulo perdeu 28,9 mil lojas, segundo a CNC.

Os números da FecomercioSP, baseados em informações da Secretaria da Fazenda, traduzem bem a gravidade do problema: entre janeiro e novembro de 2014 e de 2015, as vendas do varejo paulista caíram 6,5%, ou R$ 34,2 bilhões. Em novembro a queda foi de 10,1%, correspondendo a R$ 5,3 bilhões. No Município de São Paulo houve queda de 7,2% em relação a novembro de 2014, pior resultado para o mês desde 2009.

Os efeitos do recuo do varejo são disseminados. A relação entre o consumo das famílias e o Produto Interno Bruto é da ordem de 60% (o governo consome 20%). Daí serem alarmantes as previsões dos economistas da FecomercioSP de que “em 2016 poderá se consolidar a maior crise já vivida pelo comércio paulista” – o que certamente se aplica ao varejo de todo o País.

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