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O avanço das telecomunicações

Luiz Eduardo Falco* - O Estado de S.Paulo

03 Maio 2010 | 00h 00

O Brasil assistiu a um grande avanço na expansão da infraestrutura de telecomunicações instalada no País na última década. Desde 1998, o setor de Telecom investiu mais de R$ 177 bilhões na ampliação e na modernização da rede. Esse valor representa, hoje, quase 6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O crescimento do mercado interno, lastreado na estabilização econômica, fez do Brasil um destino cobiçado por alguns dos maiores players mundiais de Telecom e Tecnologia da Informação (TI). Essa situação vem criando grandes desafios e oportunidades para todas as empresas e gerou uma verdadeira corrida pela maior competitividade.

Mais do que aumentar o acesso a linhas de telefone, o avanço das telecomunicações viabiliza a implantação das inovações tecnológicas que vêm transformando radicalmente o modo de vida de toda a sociedade. A disponibilização de novas tecnologias de acesso aumenta a capacidade das empresas nacionais de produzir e realizar negócios no mercado interno e externo, impactando positivamente a competitividade do Brasil diante do mundo globalizado.

Essa expansão acelerada dos últimos anos tem sido o resultado de um bem-sucedido modelo de parceria adotado entre Estado e iniciativa privada. Um exemplo de projeto resultante desta parceria é o que assegurará a implantação pelas empresas privadas de backhaul (infraestrutura para conexão em banda larga) em todas as sedes de municípios do Brasil até o fim deste ano. Além disso, até dezembro de 2010, todas as escolas públicas urbanas de ensino fundamental e médio do País terão acesso à banda larga, como estabelece o Programa Banda Larga nas Escolas, lançado pelo Governo Federal. São 57 mil escolas no País conectadas, num dos maiores projetos de inclusão digital do mundo.

Esses exemplos são a prova de que políticas definidas e reguladas pelo Poder Público, somadas ao crescimento da capacidade de oferta das operadoras privadas, vêm dando resultados concretos e tangíveis à população. Esses resultados fazem do Brasil um dos países que mais se desenvolvem no setor de Telecom e TI, com reflexos positivos em toda a sociedade brasileira. Graças à escala do seu mercado interno, o Brasil coloca-se como um dos principais centros consumidores e demandantes dessas novas tecnologias. Para fortalecer essa vocação nacional, é imperativo fortalecer o parque tecnológico interno, fomentando a criação e o fortalecimento de centros de pesquisa de ponta.

Assim como as multinacionais fazem em seus países de origem, as companhias brasileiras estão naturalmente comprometidas em fazer os investimentos necessários para desenvolver tecnologia de última geração e utilizá-la como diferencial competitivo na disputa global. Prova disso é a multiplicação de instituições de referência em pesquisa, que contam com musculatura e capacidade significativa de investimento. O País já tem instituições importantes que podem liderar esse processo, como por exemplo o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R), o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD, de Campinas, São Paulo), a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi, de Florianópolis, Santa Catarina), e o Instituto Gênesis, unidade complementar da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Maior velocidade. Observando os avanços conquistados, é importante lembrar que a própria dinâmica do setor de Telecomunicações mudou mais de uma vez ao longo das últimas duas décadas. A realidade tecnológica do século XXI é completamente diferente daquela do final do século passado. Até a década de 70, o setor de Telecom ocupava-se quase que exclusivamente do transporte de voz. Hoje, a infraestrutura de Telecom de última geração tornou-se um serviço complexo que precisa ser capaz de dar vazão a necessidades crescentes de volume, velocidade e segurança de transporte de dados.

Em todos os países que lideram a nova ordem mundial, o setor de telecomunicações é estratégico para o desenvolvimento econômico e humano, sendo plataforma fundamental para a segurança nacional e fomentador de pesquisas e novas tecnologias, cada vez mais mutáveis. Assim, é de grande importância que a promoção do desenvolvimento tecnológico brasileiro e do investimento em inovação de sua indústria continue a ser observada na diretriz estratégica do País.

PRESIDENTE DA OI

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