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'O Banco Central precisa voltar a operar com autonomia', diz Monica De Bolle

Alexa Salomão - O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2014 | 18h 27

Sócia diretora da Galanto entende que, antes de tudo, governo precisa reconhecer erros na política econômica

Por que o Brasil patina? “Caímos nessa armadilha de baixo crescimento por erros na política econômica. Um exemplo: levaram o Banco Central para um caminho muito ruim, de experimentalismos. Ele adotou as tais políticas macroprudenciais, que nunca souberam explicar o que era. Primeiro, foi frear a valorização do câmbio. Um belo dia, virou outra coisa. O Banco Central deveria cuidar do regime de metas de inflação e já não há nem clareza sobre qual é a meta. Oficialmente é o centro da meta, de 4,5%. Mas todo mundo sabe que a meta é ficar abaixo do teto, de 6,5%. Outro exemplo de erro foi o das desonerações. A ideia de reduzir carga tributária no momento de baixo crescimento não é ruim. Mas pareceu que nem o governo acreditou no resultado, porque em vez de oferecer para todo mundo, foi implantando devagar, setor por setor. Com isso, criou incertezas. Os setores beneficiados ficaram na dúvida se era ou não para sempre e não cumpriu o plano de investimento. Quem não recebeu, não fez nada esperando a benesse. A forma com foi feita desincentivou os investimentos.”

Como reverter o problema? “Precisamos, antes de tudo, que nossas autoridades reconheçam os problemas que criaram. O Banco Central precisa voltar a operar com autonomia, com uma equipe que não seja submissa ao governo e coloque o regime de metas de inflação para funcionar como sempre funcionou. Isso é o mais fácil de resolver. Difícil é reorganizar a política fiscal (a política relacionada à gestão da arrecadação e dos gastos públicos). Não vai bastar anunciar corte de gastos. Hoje o balanço das empresas dos setor elétrico, da Petrobrás, do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Tesouro Nacional fazem parte de um único pacote. É um nó difícil de desatar, igual aquele que se faz em correntinha comprada em feira hippie. Ninguém sabe com clareza o tamanho da conta, do buraco. Sabemos apenas que o fiscal está atrapalhado. A população não se preocupa com política fiscal, mas ela pede hoje mais qualidade na saúde, na educação, na segurança. Quando o fiscal está atrapalhado, fica difícil atender essas demandas.”