O Brasil entre os piores no regime de metas

O regime de metas de inflação, implantado no País em 1999, foi bem-sucedido até 2008. Derrubou a inflação oficial (IPCA) de quase 9% ao ano para 3% em 2006. Deu mais eficácia à política monetária, reduzindo o custo de manter a inflação controlada. Mas, desde 2009, com a crise global, a gestão da política de metas no Brasil tem sido menos rigorosa. Em vez de perseguir o centro da meta, de 4,5%, o Banco Central (BC) passou a buscar uma inflação até o limite superior da margem de tolerância, de 6,5% ao ano - e hoje o IPCA já supera os 7%.

O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2015 | 02h02

O custo dessa tolerância aparece na pesquisa da consultoria independente Focus Economics: de 26 países que adotam o regime de metas, o Brasil teve, em 2014, a terceira maior inflação (6,4%), só abaixo de Turquia (8,8%) e Gana (17%).

Ao adotar o regime de metas, implantado originalmente na Nova Zelândia, os países indicam que pretendem trazer a inflação para os níveis internacionais, que são pouco superiores a 3% ao ano para os emergentes e inferiores a isso para os países desenvolvidos.

O resultado é que a inflação passa a ser previsível para os agentes econômicos, tornando menos arriscadas as decisões das empresas de tomar empréstimos e investir.

A pesquisa LatinFocus Consensus Forecast, feita com 30 instituições, mostra que muitos países ultrapassaram o centro da meta de inflação, mas nem por isso a inflação foi tão elevada como no Brasil. Em 2014, na América Latina, entre os países que adotam o regime de metas, a inflação foi de 3,2% no Peru, de 3,7% na Colômbia, de 4% no México e de 4,6% no Chile. No Reino Unido e no Canadá, a inflação foi de 1,5% e, na Austrália, de 1,7% - nesses três países, o centro da meta é de 2%.

Entre 2005 e 2010, o comportamento dos preços no Brasil assemelhou-se ao dos outros países latino-americanos que adotaram o regime de metas, notou o economista Marcelo Carvalho, do BNP Paribas, ao jornal Valor. Depois disso, o governo "continuou pisando no acelerador" e estimulando demanda e inflação, mas a economia não respondeu ao aumento da oferta de moeda.

Um dos grandes benefícios de atingir o centro da meta é o fortalecimento da credibilidade do Banco Central. E alcançar a meta é mais fácil com um BC independente. A tarefa atual do BC é reconquistar credibilidade - e ela começa pela indicação de que seu objetivo principal é atingir o centro da meta, como ocorre em outros países que adotaram esse regime.

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