RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
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'O Brasil não precisa de mais impostos, mas de eficiência', diz João Doria

Tucano quer privatização gradual da Petrobrás e defende idade mínima de aposentadoria igual para homens e mulheres

Entrevista com

João Doria, prefeito de São Paulo

O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2017 | 05h00

Para o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), o Brasil não precisa de mais impostos, mas de uma gestão tributária eficiente. O tucano também diz acreditar que o Estado é inchado demais e defende a venda da Eletrobrás e uma privatização gradual da Petrobrás.

Prioridades

“Geração de renda e emprego. Combater a miséria e o desemprego é essencial. Para isso, é preciso estar com a economia estável para promover a retomada de investimentos. É através da volta de investimentos que se vai produzir novos empregos, garantir estabilidade para os empregos existentes e gerar oportunidades de renda. A política econômica do presidente Michel Temer está bem fundamentada. Ela deu autonomia e independência ao Banco Central, previsibilidade à taxa de juros, estabeleceu política fiscal de controle de gastos, manteve a máquina pública sob controle. Esses princípios são bons. A continuidade seria uma medida acertada.” 

Reforma da Previdência 

“É necessária. Talvez o governo não consiga fazer a reforma completa, mas se conseguir estabelecer um teto, já vai ser muito importante, sem tirar os direitos adquiridos. No Congresso, a idade mínima está em 65 anos para homens e 62 para mulheres. Embora minha defesa seja o patamar igual, de 65 para homens e mulheres, nos fundamentos, concordo com a reforma atual proposta. Não conheço todos os detalhes, mas os fundamentos. As regras têm de ser iguais e a reforma da Previdência tem de atender tanto setor privado quanto setor público. Evidente que você pode sempre debruçar um olhar maior sobre aquela ou essa área. Sempre vai haver muito debate. O ideal é não haver distinção (da aposentadoria dos militares), mas não sou contra debate.” 

Tamanho do Estado

“O Estado é inchado de maneira geral em todas as áreas e, como tal, perde eficiência. (O caminho para resolver é) privatização. Colocar o setor privado para ser também um agente prestador de serviços para a população. Primeiro, você diminui despesas. Segundo, melhora os serviços e rendimentos. Em terceiro, gera receitas. Isso permite que os recursos sejam focados para onde o Estado se faz necessário: saúde, educação, habitação, segurança pública. O limite da privatização é o limite da eficiência. Não deve haver intocabilidade, deve haver oportunidade, bom senso. Apoio a privatização da Eletrobrás. E fui o primeiro a manifestar claramente minha posição em defesa da privatização gradual da Petrobrás. Por que gradual? Para que possa ser bem-feita. Um processo gradual vai evitar desemprego e uma fragilidade para funcionários e técnicos da Petrobrás que, na sua expressiva maioria, são pessoas valorosas. Também defendo o fortalecimento de uma agência reguladora independente, que possa fazer regulação equilibrada.” 

Impostos

“Sou contra o aumento de imposto, não tem necessidade. Tem de fazer boa administração tributária. Óbvio que dá para apostar numa reforma tributária, mas não para aumentar impostos. O Brasil não precisa de mais impostos. O Brasil precisa de eficiência na administração dos impostos. Considero ser preciso melhorar a eficiência de gestão tributária e ser mais rigoroso na cobrança dos inadimplentes. Há muito perdularismo. Muita gente devendo, poucos pagando. Precisamos de uma política fiscal mais rigorosa para cobrar créditos que ainda não foram consolidados, mesmo que para isso seja preciso criar PPIs, programas de parcelamento, para que pessoas e empresas de bem possam pagar.”

Bancos públicos

“Defendo gradual fusão da Caixa com o Banco do Brasil, duas instituições sérias que cumprem papéis importantes e são complementares hoje. Elas podem fazer parte gradualmente de uma única estrutura muito fortalecida com todos os seus campos de capilaridade para financiamento do campo, da produção, da casa própria.” 

Juros

“Banco Central tem de ter independência para ter respeitabilidade. Ter uma política de juros com uma visão muito precisa. Diria que quase um acompanhamento semanal da economia. E evitar usar o BC como agente de execução de política fiscal ou econômica. O banco tem de refletir o mercado. Ele tem de ter um sentimento de mercado, ter essa grandeza de interpretação que faça com que ele não gere um conflito com o mercado e, com isso, coloque em debilidade o processo econômico. O mundo é globalizado e o Brasil precisa entender isso.”

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