O corte de crédito da CEF e o mercado imobiliário

O impacto sobre o mercado imobiliário da decisão, já confirmada, da Caixa Econômica Federal (CEF) de reduzir em R$ 25 bilhões o orçamento de crédito à moradia neste ano poderá ser maior do que se poderia prever. Isso se explica porque o crédito imobiliário em geral já perdia vigor desde 2014, antes de a CEF anunciar uma diminuição mais expressiva dos financiamentos previstos. Agora, apesar da desaceleração, é provável que faltem recursos não só para financiar a compra de usados, mas também para novos investimentos.

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2015 | 02h05

No primeiro trimestre, os empréstimos para construção e aquisição com recursos das cadernetas de poupança apresentaram queda próxima de 5%, de R$ 25,2 bilhões para R$ 24,1 bilhões, em relação a igual período do ano passado, em valores nominais - ou seja, o recuo efetivo superou 10%, levando em conta a inflação. Embora abril tenha sido menos desfavorável, o quadro não mudou muito, com recuo da ordem de 3% no primeiro quadrimestre.

A CEF é o maior agente emprestador, respondendo por mais de dois terços da oferta de crédito imobiliário. Tem capilaridade e uma clientela habituada a juros competitivos.

O auge dos empréstimos da Caixa ocorreu em 2013, quando os créditos se aproximaram dos R$ 135 bilhões, caindo para menos de R$ 130 bilhões em 2014. Neste ano, poderão recuar para R$ 100 bilhões, incluídas as operações com o FGTS.

Em 2014, as cadernetas financiaram mais de 500 mil imóveis, número que passa do milhão quando incluídas as operações do FGTS. O fundo é a grande fonte de recursos para o programa oficial de casas populares, cujas liberações já atrasam, afetando vasta gama de construtoras, de pequenas a grandes.

Há pouco a fazer em relação à queda de recursos das cadernetas, numa conjuntura de juros crescentes. Especialistas já admitem que os saques poderão chegar a R$ 50 bilhões neste ano apenas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), ou seja, sem contar a poupança rural captada pelo Banco do Brasil, não destinada à moradia.

Sem a certeza de que haverá crédito e às voltas com a devolução de imóveis por clientes que perderam renda, construtoras e incorporadoras sentem mais a crise, mostrou reportagem do Estado ontem.

Se o declínio da oferta de crédito imobiliário será bem mais acentuado que o previsto, parece pouco recomendável que recursos do FGTS sejam deslocados da habitação para o BNDES, como quer o governo.

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