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O custo da captação externa do País

O Estado de S.Paulo

17 Junho 2014 | 02h 06

O Brasil voltou a tomar recursos no exterior, captando US$ 6 bilhões na semana passada. Há novas emissões em estudo. As empresas aproveitam a fase de aumento da liquidez no mercado internacional, mas nem sempre isso significa que o custo das colocações seja módico.

A maior das operações realizadas no mês foi a do Banco do Brasil (BB), que lançou US$ 2,5 bilhões em bônus perpétuos (sem prazo de vencimento). São títulos em dólar, com juros de 9% ao ano - spread de 636,2 pontos-base sobre os títulos semelhantes emitidos pelo Tesouro norte-americano, bem superior ao spread pago em outra emissão do banco, em janeiro. O BB quer reforçar seu capital, para aumentar sua capacidade de emprestar.

O custo da operação - percebido como elevado por especialistas - deve levar em conta que os títulos do banco se equiparam aos títulos do Tesouro Nacional, do ponto de vista da garantia de pagamento.

Outras captações feitas por empresas privadas pagarão juros de 4,75% ao ano a 10,875% ao ano, conforme o porte da companhia, o prazo de vencimento e a tradição no mercado internacional.

Alguns fatores permitem explicar por que se abriu uma janela de liquidez internacional e por que esta foi aproveitada pelas companhias brasileiras. Primeiro, as medidas destinadas ao aumento da liquidez na zona do euro, decididas há alguns dias pelo Banco Central Europeu (BCE), impõem penalidade aos bancos europeus que não elevarem suas aplicações. Não é estranho que uma pequena parcela dos novos recursos seja aplicada em títulos de países emergentes, como o Brasil.

Segundo, o Brasil elevou o juro básico até abril, tornando-se atrativo para investidores globais que recebem remuneração real baixa ou apenas nominal em outras aplicações. Nos últimos dias, com o juro básico mantido em 11% ao ano, por decisão do Copom, registrou-se uma pequena queda nas taxas das operações corrigidas pelo CDI, que seguem a taxa Selic.

Terceiro, a antecipação das captações não pode ser dissociada da proximidade das eleições, em que se prevê uma disputa renhida pela Presidência.

Mesmo que o custo da captação não seja baixo, alguns tomadores acreditam que é melhor pré-pagar dívidas mais caras. A consequência do aumento da captação é reduzir a pressão sobre as cotações do dólar, que o governo quer usar para evitar o estouro da meta de inflação.

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