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O declínio prolongado do emprego industrial

O Estado de S.Paulo

12 Junho 2014 | 02h 05

Há 31 meses o emprego industrial está em declínio, quando se compara o mês analisado com igual mês do ano anterior. É o que mostra a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda é tão expressiva que induz explicações estruturais, revelando a extensão da crise por que passa o setor manufatureiro, sem que se anteveja o caminho da recuperação.

Entre abril de 2013 e abril de 2014, o emprego industrial caiu 2,2%, maior porcentual, num mês, desde dezembro de 2009. O recuo ocorreu em 11 das 14 áreas pesquisadas. No quadrimestre janeiro/abril houve queda de 2% em relação a igual período de 2013, mais do que no último quadrimestre de 2013 (1,7%). E no mês o recuo foi de 0,3%.

No Estado mais representativo da produção (SP), a queda superou a média nacional (3,3% em 12 meses), liderada pelo corte de vagas nas indústrias de produtos de metal (15,4%), têxtil (10,6%), máquinas e equipamentos (3,8%), calçados e couro (13,8%), refino de petróleo e produção de álcool (11%), além de meios de transporte, alimentos e bebidas e papel e gráfica.

E a queda foi generalizada, alcançando outros Estados em que a indústria é forte, como o Rio Grande do Sul (4,6%), o Paraná (3,7%) e Minas Gerais (2,2%) - neste último caso, a queda foi idêntica à nacional.

Na comparação com abril de 2013, também caiu o número de horas pagas aos trabalhadores (3,1%), mas o valor da folha de pagamento real, ajustado sazonalmente, subiu 0,7% em relação a março e apenas 0,9% em relação a abril de 2013, com tendência negativa pelo critério de média móvel trimestral.

A combinação dos dados de emprego e renda retrata um ajuste difícil: a maioria de trabalhadores que preservaram a atividade obteve alta real de salário. A folha de pagamento média nominal cresceu 10,1% entre os primeiros quadrimestres de 2013 e 2014, bem acima da inflação, mas o crescimento da folha caiu em relação a fevereiro e março.

Ou seja, as empresas tentam elevar a produtividade, mas para disputar o mercado não podem perder a mão de obra qualificada. Pelos cálculos do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), houve alta da produtividade de 1,4% na comparação entre os primeiros quadrimestres de 2013 e 2014, pois diminuiu o número de horas pagas.

A crise afeta os lucros da indústria, o que torna mais difícil o mais relevante: a decisão de investir.

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